São Paulo lança pacote para reviver o Teatro

A Secretaria Muncipal de Cultura lançou hoje um vasto pacote de projetos que promete movimentar a atividade teatral em São Paulo nas mais variadas frentes: formação de novas platéias, apoio às companhias, incentivo à vocação artística e debates sobre o papel e a situação do teatro. O amplo conjunto de medidas, que terá investimento de R$ 1,618 milhão, foi anunciado na tarde desta segunda-feira pelo secretário de Cultura, Marco Aurélio Garcia, e pelo diretor do Departamento de Teatro da cidade, Celso Frateschi.As medidas impressionam por sua extensão, mirando tanto a comunidade artística como o público. Um dos cinco projetos envolve apenas a formação de platéias. Com curadoria do diretor e cenógrafo italiano Gianni Ratto, foram selecionadas quatro peças que servirão, conforme Garcia, como uma ?introdução ao teatro brasileiro?: Caiu o Ministério, de França Júnior, Geração Trianon,de Anamaria Nunes, Pedro Mico, de Antonio Callado, e Nossa Vida em Família, de Oduvaldo Vianna Filho, foram as montagens escolhidas. As apresentações, que começam na segunda semana de setembro no Teatro João Caetano, serão agendadas com escolas da rede municipal, sindicatos e organizações para a terceira idade. No total, 70 mil pessoas tradicionalmente pouco íntimas da programação teatral devem ser atingidas até o fim do ano.Outros dois projetos atacarão a dificuldade que enfrentam os grupos teatrais, grandes ou pequenos, em mostrar seu repertório com continuidade. O primeiro deles abre nesta semana uma licitação para selecionar companhias que por seis meses ocuparão seis teatros municipais: Paulo Eiró (Santo Amaro), Alfredo Mesquita (Santana), Cacilda Becker (Lapa), Martins Penna (Penha), Flávio Império (Cangaíba) e Arthur de Azevedo (Mooca). A seleção será feita com base na programação oferecida pelo grupo, incluindo cursos, oficinas e trabalhos de pesquisa cênica. Os vencedores receberão entre R$ 60 mil e R$ 80 mil para o trabalho, conforme o teatro ocupado. Um outro projeto dará apoio às companhias que já conquistaram sede própria. Elas disputarão, também em licitação, um incentivo de R$ 65 mil.Para driblar a concentração geográfica de casas de espetáculo, foram levantados 100 pontos na periferia, entre bibliotecas e casas de cultura municipais, para sediar atividades teatrais amadoras. A idéia é incentivar o interesse pelo teatro e firmar a arte como uma alternativa de lazer cultural. Frateschi quer com isso um ?agressivo incremente? do teatro não-profissional, ponto-chave para qualificar um público mais exigente. Tem mais. Em outubro, a secretaria abre a série de palestras e fóruns O Teatro e a Cidade, voltadas à comunidade artística. Gerd Bornheim e Edward Bond são alguns dos nomes que a secretaria pretende reunir."Primeiro Passo" - O projeto é a primeiro ampla incursão da gestão de Marta Suplicy na política cultural. E ilustra bem a opção de seu secretário em não limitar-se a organizar a agenda da cidade como uma sucessão disparatada de shows e eventos. Claro, diz Garcia, o projeto não vai suprir a carência teatral da cidade, nem reverter completamente o processo de fragmentação da comunidade artística. ?É um primeiro passo?, pondera, lembrando que há muito tempo a cidade vivia sem um política teatral clara. Os próprios teatros municipais são bons exemplos, a começar pelo mau estado de conservação da grande maioria deles. Segundo Frateschi, nos próximos 20 dias a Prefeitura saberá exatamente quanto deve-se investir para reformá-los. Até hoje, os espaços vinham sendo cedidos para as mais diversas atividades. ?O teatro não é mais visto como uma casa de artes, mas como um auditório que pode ser usado de qualquer maneira?, lamenta Frateschi. Com as medidas anunciadas hoje, ele espera reanimar o diálogo entre governo, artistas e público. ?É uma convocação.?

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