São Paulo ganha sua companhia oficial de dança

Secretaria da Cultura estima que o orçamento para 2008 da São Paulo Companhia de Dança é de R$ 13 milhões

Helena Katz, especial para o Estado,

28 Janeiro 2008 | 19h26

A relação dança-Estado começa agitada em 2008. Em Salvador, o secretário de Estado da Cultura, Márcio Meireles, anunciou que o Balé Teatro Castro Alves, a companhia oficial de dança da Bahia, voltará ao modelo original, o de contar somente com o quadro dos bailarinos estáveis, e dispensou todos os bailarinos contratados. No sul, acaba de nascer a Porto Alegre Companhia de Dança, com 60% do orçamento bancado pelo Fumproarte (Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre), tendo como meta buscar a auto-sustentação em projetos públicos ou privados de fomento à cultura, através de relações livres de mercado. E em São Paulo, o secretário do Estado da Cultura, o economista João Sayad, apresentou nesta segunda-feira, 28, pela manhã a mais nova companhia pública brasileira, a São Paulo Companhia de Dança, que contará com uma equipe de 7 profissionais no seu comando, dentre os quais duas diretoras: Iracity Cardoso e Inês Bogéa.   Em entrevista exclusiva ao Estado, realizada em seu gabinete, o secretário declarou que entende ser essa a melhor escolha para a construção da excelência que ainda não reconhece na dança. "As companhias existentes não têm como enfrentar os custos de sede própria, de contratos via CLT, por isso cabe ao Estado atuar nesse segmento, o que não precisa acontecer com o teatro, por exemplo, que já produz com excelência."   A Secretaria da Cultura estimou o preço dessa excelência: o orçamento para 2008 da nova companhia é de R$ 13 milhões (o da Osesp, o modelo comparativo empregado pelo secretário, é de R$ 53 milhões). Serão 40 bailarinos, selecionados em audições em Belém (13/2), Recife (15/2), Brasília (17/2), Porto Alegre (19/2), Buenos Aires (21/2), São Paulo (23/2), Europa e Estados Unidos (data ainda não definida), com uma final em São Paulo (24/2). O salário inicial dos bailarinos será de R$ 4,5 mil e das duas diretoras, entre R$ 8 mil e R$ 10 mil.   Indagado sobre a importação de bailarinos do exterior, o secretário esclareceu que não estava criando uma nova companhia para ser reserva de mercado para os bailarinos brasileiros. "Nosso objetivo é a excelência. Você não contrataria um excelente diretor administrativo para a sua empresa se ele não fosse brasileiro?"   A São Paulo Companhia de Dança trabalhará com contratos via CLT e se tornará uma OS em 2009. O secretário desacredita da possibilidade de injunções políticas na sua condução artística: "Veja os exemplos da Osesp e da Pinacoteca."   Como se trata de um projeto de política pública, é fundamental relacioná-lo com o contexto no qual vai atuar. O próprio secretário declara que a qualidade demanda recursos ausentes do mercado, razão que o fez criar a nova companhia, A distribuição de recursos apresentada, contudo, evidencia uma desproporcionalidade gritante entre os R$ 13 milhões destinados à nova cia. e os R$ 1,4 milhão (quase dez vezes menos) reservados para todas as outras companhias de dança já existentes.   O secretário acredita que uma companhia de excelência "emulará todo o campo da dança. O Brasil precisa ser um lugar que produz a excelência e não somente a compra fora".   Surge, então, uma questão a ser pensada: se a qualidade depende da injeção de bons recursos, a proporcionalidade atual entre a verba destinada à nova cia. e a todas outras muito provavelmente não se restringirá ao aspecto administrativo.   Não foi cogitado usar a dotação dos R$ 13 milhões em projetos que atendessem a quem já faz dança. "O que você escolheria: salvar a Varig ou começar uma Gol? É mais fácil começar algo novo do que consertar o já existente. E é preciso pensar em economia de escala. A eficiência de R$ 13 milhões em um único projeto não pode ser comparada à da sua pulverização em 3 ou 4 iniciativas." Estão previstos também R$ 600 mil para o Teatro Itália, o atual Teatro da Dança; R$ 300 mil para festivais de dança; R$ 300 mil para a dança folclórica, além dos R$ 34 milhões já pagos em 2007 pela desapropriação da área da antiga rodoviária, onde será construída a sede da nova companhia, salas para residência de outras companhias e dois teatros. Ainda sem verba para iniciar as obras, a SPCD, por enquanto, se alojará na Oficina Cultural Oswald de Andrade.   Vale atentar para a imagem escolhida para o catálogo de estréia, todo em preto, vermelho e branco, como convém a um representante oficial do Estado de São Paulo. Afinal, uma mão esticada recebendo um pé em sapatilha de ponta fala muito sobre o que vem por aí.     Confira o mapa cultural da região da Luz, no centro de São Paulo  

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