São Paulo ganha exposições no Dia Nacional do Grafite

Lugar de grafite é na rua? Nem sempre. Ele está na sala de aula, na galeria de arte, nos livros e até no selo lançado pelos Correios para comemorar o dia de hoje: o Dia Nacional do Grafite.A data foi criada após a morte do artista etíope naturalizado brasileiro Alex Vallauri (pioneiro na intervenção urbana a partir de 1978), há 18 anos. Desde então, passou a rechear o calendário cultural de São Paulo com várias atividades que divulgam o movimento, intensificado nos anos 80."Muita gente ainda tem preconceito contra o grafite, que não tem nada a ver com a pichação", afirma o designer Fernando Zalma, um dos organizadores do Projeto Oficina Central, que dá nome à mostra em cartaz num galpão de 200 metros quadrados, no Centro da cidade.Estarão expostos, a partir das 19 horas de hoje, trabalhos de grafiteiros de diferentes gerações: Binho Ribeiro, Boleta, Celso Gitahy, Chivitz, Cláudio Donato, Daniel Melim, Jey, Ozéas Duarte, Pato e Rui Amaral. Um dos veteranos na atividade, Rui Amaral, de 45 anos, conta que se diverte bastante com a troca de figurinhas com os colegas mais novos, da montagem ao encerramento da exposição. "Sou um dos poucos da minha época que continua com o grafite. Aprendo muito com a molecada de 18 anos e adoro dar oficinas para jovens da periferia. É uma forma de resgatar a cidadania por meio da arte".E já que o assunto é sala de aula, paralelamente à exposição, acontecem oficinas de hip hop, sticker e stecil art. Presentes no universo do grafite, esses desdobramentos espalham-se pela cidade na música, no comportamento e ´dialeto´ dos grafiteiros (hip hop) ou na forma de adesivos e cartazes colados em cima de anúncios de fiadores e cartazes de políticos, entre outros (sticker e stencil art).Todos os trabalhos vendidos no Projeto Oficina Central terão a renda revertida para a ONG Ação Educativa. No último dia da exposição (13 de abril), o público poderá ver o painel coletivo criado pelos dez artistas num salão da sede da ONG.Outro sinal de que o grafite está começando a ser levado a sério como expressão artística veio de uma empresa federal: os Correios, que vão lançar três selos com estampas dos artistas Rui Amaral, de São Paulo, Akuma, do Rio de Janeiro, e Mello, de Brasília.Grafite é arte, pichação é vandalismoOs anos 70 marcam a origem do grafite no Brasil, quando os artistas buscavam novos suportes e maneiras de se expressar. A pintura em spray ganhou postes, calçadas e viadutos, que se transformaram em "galerias a céu aberto". Enquanto alguns sujavam as paredes da cidade com pichações sem sentido, outros elevaram a atividade ao status de arte. Os pichadores caíram na marginalidade, enquanto o grafite brasileiro ganhou espaço em museus e galerias de todo o mundo. Projeto Oficina Central. Rua Fortunato, 236. De seg. a sáb., 11 horas às 20 horas. Tel.: 3333-7906. Oficinas e exposição ONG Ação Educativa. Av. Gal. Jardim, 660. Tel.: 3151-2333.

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