São Paulo deve ter corredor cultural no centro

Após anos de ações isoladas, o centro de São Paulo sofrerá a primeira grande intervenção física com o objetivo de revitalizar a região. Até julho de 2002, o eixo formado pela Rua Xavier de Toledo, Praça Ramos de Azevedo e Praça do Patriarca será totalmente reformado e deve transformar-se em um corredor cultural que ligará referências culturais da cidade, como a Biblioteca Mário de Andrade, o Teatro Municipal e a Galeria Prestes Maia. O projeto faz parte de uma ampla operação de recuperação do centro, que será anunciada pela prefeita Marta Suplicy (PT), na terça-feira. Orçado em R$ 4,5 milhões, o Projeto Patriarca será totalmente custeado pela Prefeitura com recursos obtidos pela Operação Urbana Centro. Dentro de dois meses, será concluída a licitação e as obras devem começar no início do segundo semestre. "As ações (de revitalização dos espaços culturais e de lazer da cidade) realizadas ao longo dos anos foram muito isoladas e até hoje não há interação entre elas que permita passeios a pé", afirmou o presidente da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Maurício Faria, citando locais importantes, como a Sala São Paulo da Estação Júlio Prestes, o Teatro Municipal e a Pinacoteca do Estado. "O espaço urbano nunca foi adequado para permitir o trânsito de pedestres e a valorização dos espaços públicos na região." A principal intervenção será na Praça do Patriarca. As atuais linhas de ônibus serão remanejadas para a Xavier de Toledo e o estacionamento de veículos será proibido. Atravessando o Viaduto do Chá, que foi reformado pelo ex-prefeito Celso Pitta (PTN), a Prefeitura vai recuperar toda a Rua Xavier de Toledo e as Praças Ramos de Azevedo e Dom José Gaspar, onde está localizada a Biblioteca Mário de Andrade. Na Xavier de Toledo, as calçadas serão ampliadas e a zona azul transferida para a Praça Dom José Gaspar, onde também será construído um estacionamento em 45 graus para veículos particulares. Ontem, Marta reuniu-se com os secretários municipais da Habitação, Paulo Teixeira, do Planejamento, Jorge Wilheim, e com a administradora regional da Sé, Clara Ant, para discutir os principais pontos do plano de revitalização do centro. "Será um projeto com começo, meio e fim", disse Marta. Para ela, o plano deve integrar as ações da sociedade civil. "Vai ser estimulante para a população ver esse primeiro resultado da administração, em que foram consultados desde catadores de papel e ambulantes até todo o sistema financeiro", diz Marta. Entre as ações em andamento no centro, Clara Ant destacou a Comissão Permamente dos Ambulantes, formada por representantes da Santa Casa de São Paulo e pelo Hospital Beneficência Portuguesa, além de outras entidades que atuam na região, para tratar da questão dos camelôs. As iniciativas já adotadas incluem um decreto da administração proibindo a comercialização de alimentos nas calçadas e liberando a venda dos produtos só em embalagens próprias. A administradora também promete agir de forma mais intensa na fiscalização da venda de CDs piratas. Para o trabalho, a prefeita havia anunciado, no mês passado, a contratação de 200 fiscais - metade deles para o centro -, o que ainda não foi realizado.

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