William Aguiar/Divulgação
William Aguiar/Divulgação

São Paulo Companhia de Dança apresenta montagem latina de William Forsythe

É a primeira vez que um grupo latino monta 'In The Middle, Somewhat Elevated'

FLAVIA GUERRA , O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 03h07

Para a São Paulo Companhia de Dança, que estreia novo espetáculo dia 13, no Teatro Alfa, é uma honra apresentar uma coreografia do americano William Forsythe pela primeira vez. Mais que o ineditismo da companhia que tem pouco mais de quatro anos, esta é a primeira vez que a obra In The Middle, Somewhat Elevated é montada por latino-americanos. "Somos jovens e já encaramos a criação de um mestre. Estamos muito felizes", comenta a diretora artística da SPCD, Inês Bogéa.

Do outro lado, em Frankfurt, na Alemanha, onde vive Forsythe, a honra é recíproca. "A prova de que a obra de um criador está viva é sua capacidade de dialogar com novos olhares, provocar novas leituras. Se isso acontece comigo, estou feliz", comentou o coreógrafo ao Estado, por telefone. "Os brasileiros são ótimos bailarinos, o ritmo faz parte do caráter. Tal cadência única faz sua dança tão especial."

É justamente a união do ritmo nacional com o domínio da técnica e do balé clássico que torna única a releitura de In The Middle, Somewhat Elevated. "Os bailarinos daqui têm pleno domínio da forma, dos movimentos, além de senso de equilíbrio e improviso. Impressiona sua capacidade de criar", comentava Agnés Lopez, após um dos ensaios da companhia na terça-feira sobre a obra criada por Forsythe em 1987 a pedido de Rudolf Nureyev, para o Ballet Ópera de Paris.

Vale lembrar que In The Middle é considerada um divisor de águas na dança contemporânea. "Amplia as possibilidades da clássica sem desmerecer seus princípios, por conta de sua relação com o espaço, a rapidez e a lentidão, da relação entre os bailarinos e por expandir limites, exigindo muito dos bailarinos que, mais que executar um movimento, são desafiados a criar. Não envelhece porque é revolucionária", explica Bogéa. Lopez completa: "É visionária. Forsythe realmente escreveu um novo capítulo da história da dança."

Essa importância justifica a honra da SPCD apresentar In The Middle. "Não é só ter a ideia, pedir a coreografia e montar. É preciso que Forsythe aprove", comenta Bogéa sobre o processo que, agora em sua segunda fase, ganha a visita de um representante da Forsythe Company: trata-se de Lopez, que veio ao País para preparar a apresentação e, após cinco semanas de trabalho, retorna a Frankfurt, logo após a estreia.

"Um dos desafios é fazer com que as ideias deem movimento ao novo clássico pensado por Forsythe, além de trabalhar as duplas, tão caros à dança contemporânea: surge a força dos opostos, dos contrastes, como se os bailarinos estivessem um contra o outro. Particularmente para mim, trabalhar a musicalidade neste cenário é o maior desafio ", conta a coreógrafa, que avalia o balanço entre o que ela ensinou aos bailarinos da SPCD e o que eles tinham a colaborar. "Além de ensinar as principais partes da obra, tento pensar como se o próprio Forsythe estivesse aqui. Mas os bailarinos aprenderam tudo com muita rapidez, além de conseguirem fazer movimentos especiais muito interessantes", contou. "Para completar, deram em troca a musicalidade, sua conexão especial com a melodia em seus próprios corpos."

Além de In The Middle, o novo programa da SPCD inclui Sechs Tänze, de Jirí Kylián, e Bachiana Nº 1, de Rodrigo Pederneiras. São três obras distintas que mostram a versatilidade dos bailarinos.

Bogéa destaca ainda a oportunidade de mostrar ao público nacional obras canônicas da dança mundial, "que nem sempre tem chance ver companhias no exterior apresentando".

Tal relação orgânica do brasileiro com o ritmo transforma o trabalho da SPCD em uma companhia capaz de reproduzir uma grande coreografia, e, ao mesmo tempo, acrescentar um ponto à história da dança. "Exato. Não sei o futuro da dança, mas, quando penso nessa contaminação entre culturas, acredito que o futuro está na contaminação."

SPCD

Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, 5693-4000. 5ª e sáb., 21 h; 6ª, 21h30; dom., 18h. R$ 40/R$ 70. Até 16/9. Estreia quinta-feira.

 

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