São José do Rio Preto prepara 2º Festival de Teatro

Durante quase 20 anos, São José doRio Preto abrigou um festival amador, de importância regional.Ano passado, a partir de uma parceria entre o Sesc a aprefeitura local, a cidade realizou a primeira edição doFestival Internacional de Teatro. Foram 11 dias de programaçãode formato inovador ao reservar espaços privilegiados paraexibição de trabalhos ainda em processo de criação e paraperformances e interferências apoiadas em temas. Sem desprezar atradicional mostra de bons espetáculos nacionais einternacionais de palco e rua.Bem-sucedido em termos de aceitação e repercurssão, o formatovai se repetir na segunda edição, que ocorrerá entre os dias 17e 28 de julho, e cuja programação já foi anunciada. O teatro deAntonin Artaud apóia as "interferências" no chamado"lugarUmbigo", que substitui o bem-sucedido "Nãolugar" daedição anterior, uma casa de cômodos que atraiu um grandepúblico. Luís Melo, Mariana Lima e Rodrigo Matheus são alguns doatores que vão fazer interferências no lugarUmbigo.Entre as atrações internacionais estão grupos da Bélgica,Austrália, Indonésia e Rússia. Na parte nacional da mostra,salta aos olhos a diversidade de linguagens. O novo circo marcaa concepção de Rodrigo Matheus para Gravidade Zero, texto deMário Bortolotto sobre um rapaz que nunca põe os pés no chão. Amúsica e a linguagem que lembra a ingenuidade e a malícia daliteratura de cordel apóiam a concepção de A Luz dos OlhosMeus, que fala da paixão entre uma mulher e um cego.Outra ainda é a linguagem de Os Camaradas, da Cia. Carona deBlumenau (SC). Rostos ressaltados por uma maquiagem cinza, osatores misturam um idioma inventado - mistura de sonoridades daslínguas russa e alemã - para contar a história de umdesempregado da Eslovênia que "empresta" sua mulher aoscamaradas do Partido em troca de alimento. Tudo com gestoseconômicos, porém precisos e de grande força dramática. Sãoapenas alguns exemplos entre as 12 boas atrações nacionais.Mostras - Por motivos óbvios, as surpresas devem ficar mesmo porconta das mostras de espetáculos em processo. Há dois anos, oator Luís Melo fundou em Curitiba o seu Ateliê de CriaçãoTeatral (ACT), um centro de pesquisa nos moldes - guardadas asdevidas proporções - do Théâtre du Soleil, na França.Um grupo de atores passa os dias no ateliê, onde dispõe delivros, figurinos, pequeno espaço cenotécnico, tanques paratingimento de tecidos, equipamento de som e iluminação. Soborientação de Luís Melo, eles vêm criando improvisações sobre otema O Homem e o Cão, que será também o título do primeiroespetáculo do ACT, dirigido por Aderbal Freire-Filho. Partedessa investigação será mostrada, pela primeira vez, no Festivalde São José do Rio Preto.Francisco Medeiros é o diretor de outro espetáculo em processode ensaios que poderá ser visto no festival - Hamlet, natradução de José Rubens Siqueira. No elenco integrado por 16atores estão Hélio Cícero, Selma Egrei e Marat Descartes.Ainda na programação, um núcleo inteiramente dedicado a ArianoSuassuna com as montagens de O Santo e Porca, A Farsa daBoa Preguiça, Auto do Estudante Que Rendeu o Diabo eAuto do Novilho Furtado.

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