Samir Yazbek

Como surgiu esse convite para escrever para o National Theatre, de Londres?

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h09

O diretor do National Theatre, Anthony Banks, estava aqui no Brasil em busca de dramaturgos que pudessem escrever para um projeto deles. Ele chegou a conhecer alguns autores e pediu a cada um que formulasse um projeto, falando brevemente sobre aquilo que gostaria de escrever. Fui o escolhido.

Esse projeto New Connections costuma escolher textos para jovens. Você escreveu pensando nisso, em alcançar esse público? Era completamente livre. Mas acabei escrevendo uma peça com personagens jovens. Até por uma necessidade minha, de refletir sobre a vida desses jovens metropolitanos.

E agora você foi para Londres, para acompanhar a montagem do espetáculo?

Foi um longo processo de troca com eles. Fiz uma primeira versão do texto, que se chama O Ritual. Depois discutimos algumas sugestões deles. Agora, fui para lá para fechar o texto com o tradutor. Eles têm um entendimento de dramaturgia bastante tradicional. E são muito bons. Mas a minha peça ia pelo caminho de um teatro metafísico. Então, a primeira versão causou certo estranhamento. Ao fim, porém, eles acabaram reconhecendo essa experimentação. Foi um choque muito rico de visões de dramaturgia.

Você pretende mostrar essa obra aqui também?

Eu me empolguei com o texto. Existe um braço desse projeto Conexões aqui, no Brasil. E a ideia é fazer uma montagem desse texto, que eu mesmo dirigiria, e depois levá-la para ser apresentada na Inglaterra.

Além disso, existem planos para um novo espetáculo baseado no Fausto, não é isso? Por que voltar a esse mito?

Não vejo o Mefisto como se fosse esse diabo da Igreja Católica. Fui por outro caminho. Como se houvesse a necessidade de um pacto com o mal para que o artista contemporâneo seja efetivamente um artista. Tudo isso também tem a ver com o meu pacto com o Hélio Cícero, ator que é um interlocutor muito importante no meu trabalho. A peça tem dois personagens: o Mefisto, que ele interpreta, e um escritor, que será feito por mim. Volto, então, a atuar depois de mais de 20 anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.