Samir Yasbek visita mito de Fausto em Fogo Fátuo

O artista está em crise. Duvida de sua capacidade, de seu talento. Não consegue mais criar. Em Fogo-Fátuo, espetáculo que estreia neste sábado, no Sesc Santana, Samir Yazbek tematiza suas próprias questões como dramaturgo. Vai beber no mito de Fausto para sublinhar suas angústias.

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, Agência Estado

20 de abril de 2012 | 09h33

A história do cientista que entrega sua alma ao diabo em troca do conhecimento irrestrito já foi visitada por um sem-número de escritores. Além de Goethe, que criou a mais conhecida das versões, nomes como Thomas Mann, Fernando Pessoa e Paul Valéry também já se aventuraram a focalizar o conflito entre o homem virtuoso e a personificação do mal.

Aqui, os protagonistas merecem outros contornos. Substitui-se o estudioso da ciência pela figura de um escritor angustiado. Revela-se um Mefisto alquebrado, saudoso do lugar que antes ocupava no mundo.

Autor reconhecido por peças como O Fingidor, Samir Yazbek também aparece na montagem como intérprete. Na pele desse novo Fausto, vocaliza os dilemas pessoais que imprimiu ao texto. "É uma tentativa de entender o lugar do artista, sua busca por uma temática, uma estética", comenta o dramaturgo. Não é a primeira vez que o mote desponta em suas obras. Em O Fingidor iluminava os embates de Fernando Pessoa. Em A Entrevista mostrava uma escritora atormentada. Fogo-Fátuo radicaliza a investigação. "Não tinha um desejo pessoal de me arriscar como ator. Mas para dar conta dessas questões, agora, era preciso viver esse embate. Se eu não estivesse em cena, a peça não existiria." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

FOGO-FÁTUO - Sesc Santana. Av. Luiz Dumont Villares, 579, tel. 2971-8700. 6ª e sáb., 21 h; dom., 18 h. R$ 5/R$ 20. Até 27/5. Estreia neste sábado.

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