Samba fresco, da roda direto para o álbum

eceita de samba: cozinha de bambas, um sete cordas a rodopiar malandro em torno do telecoteco, um cavaco a dançar com o violão, como mestre sala e porta bandeira. Letras espertas, poéticas ou sugestivas, e uma cantora a fraseá-las com flexibilidade no meio da roda. Tudo isto não falta no disco Hoje É o Melhor Lugar, terceiro da sambista carioca Ana Costa, que navega tranquila pelo repertório de inéditas e regravações (uma parceria com Zélia Duncan aqui, um samba de Martinho da Vila ali). Como explica a cantora no release, o repertório se formou ao vivo, na roda, o que dá naturalidade à sequência e à atmosfera do disco. Mas isto também tira o foco e a distinção das faixas. Talvez gravar um disco que soe como uma roda de samba não seja a melhor forma de compor um trabalho original, criativo. A roda é constante, está lá enquanto casais paqueram, amigos proseiam, e mulatas requebram. O ritmo, as letras, as melodias, entram e saem do corpo e do ouvido em ondas. Só param de madrugada. Um disco pode, mas idealmente não é para ser música de fundo. Portanto, o formato cru do arranjo de roda faz com que Hoje É o Melhor Lugar e tantos outros discos de talentosas cantoras como Ana Costa caiam na mesmice. A constância talvez confortável e elegante demais é quebrada aqui com a parceria de Moysés Marques. / R.N.

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