Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Salve, Wilson Moreira

Compositor carioca ganha centro cultural em sua homenagem no Rio

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2011 | 00h00

No fim dos anos 1970, o compositor Nelson Sargento vaticinou que o "samba, agoniza, mas não morre/ Alguém sempre te socorre/ Antes do suspiro derradeiro". Os versos melancólicos, em parte, continuam a valer até os dias de hoje. Parcialmente, tendo em vista que nomes da antiga e também da nova geração seguem carregando a tocha do gênero mais popular do País com competência. Além disso, a eles somam-se outras iniciativas bem intencionadas em preservar a história do samba e de seus protagonistas, como ocorre agora com Wilson Moreira.

O compositor carioca, nascido no bairro do Realengo, comemora 75 anos em dezembro, mas as celebrações começam amanhã. Neste sábado, com a presença do sambista, será inaugurado o Centro Cultural Wilson Moreira, na Praça da Bandeira, no Rio, com roda de samba e a ilustre presença do "filho do Estácio", Luiz Melodia, às 15 horas.

A partir de setembro, o centro cultural abrirá inscrições para oficinas de violão, cavaquinho, sopros, pandeiro e percussão. O instituto, que demorou dois anos para sair do papel - e apenas recentemente ganhou apoio da prefeitura do Rio - também oferecerá cursos de dança, teatro, artesanato e culinária.

Além disso, na sede, o público poderá ter acesso ao acervo de Wilson Moreira, podendo escutar seus discos antológicos. "Eu sempre guardei muita coisa, como fotos, matérias de jornais, mas muito do material se perdeu, ou está com aquele papel amarelado, se desfazendo. Agora, poderemos preservar melhor essa história", conta o compositor.

Tal reconhecimento não poderia ser ignorado. Um dos fundadores da Mocidade Independente de Padre Miguel - no fim dos anos 1960, por descasos e desavenças, ele vestiu o azul e branco da Portela, onde foi muito bem recebido -, ele também ajudou a "erguer" o Clube do Samba e do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Samba Quilombos.

Na metade da década de 1960, foi levado por Délcio Carvalho a conhecer Nei Lopes, com a seguinte credencial: "Esse cara musica até bula de remédio". Ao lado de Nei e pelas vozes de intérpretes como Alcione, Clara Nunes, Jair Rodrigues e Zezé Motta, Wilson colecionou sucessos, como Senhora Liberdade (feita após anos de experiência trabalhando como carcereiro) e Gostoso Veneno, entre outros. "O Wilson Moreira é um dos maiores melodistas do samba em todos os tempos. É da estatura musical de Dona Ivone Lara, pela beleza das melodias que cria. Tenho muito orgulho em ser seu parceiro. O Centro Cultural é uma forma de se dar a ele "flores em vida", como dizia o samba do Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. E ele ainda merece muito mais", diz Nei Lopes.

Na virada de 1967 para 1968, mais uma passagem que resume o tamanho do talento de Wilson Moreira. Ao ser indicado para ter aulas com ninguém menos do que Guerra Peixe, o compositor, arranjador e maestro o dispensou: "Pode ir, você não tem nada para aprender comigo".

Tributos. Até o ano que vem há diversas celebrações em torno dos 75 anos do sambista. Recentemente ele lançou o disco Wilson Moreira + Baticun, acompanhado de Beto Cazes, Carlos Negreiros, Jovi Joviniano e Marcos Suzano. No cinema, Germano Fher filma um documentário sobre Wilson. Para o ano que vem sairá mais um disco, produzido por Paulão 7 Cordas com inéditas dos anos 1950 até hoje.

WILSON MOREIRA

Centro Cultural Solar Wilson Moreira. Rua Barão de Ubá, 46, Praça da Bandeira, Rio de Janeiro. Infor. (21) 3241-7300. R$ 10

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