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Salvador Dalí, sempre atual

Vinte e cinco anos após a sua morte, artista ainda provoca discussão

Julia Talarn e Hèctor Mariñosa/ Barcelona, EFE

22 de janeiro de 2014 | 18h06

O gênio de Salvador Dalí continua atual depois de 25 anos da sua morte e suas obras continuam surpreendendo e atraindo o público, que no ano passado abarrotou o Museu Rainha Sofía e o Centro Pompidou, em Paris, para contemplar sua grande retrospectiva. Dali morreu em 23 de janeiro de 1989 em sua cidade natal, Figueres (Girona, Espanha). A personalidade e a trajetória do artista sempre gerou controvérsia, pois são muitos os que ainda lembram da sua simpatia e o seu apoio ao regime franquista e a comercialização das suas obras e da sua imagem durante os últimos anos da sua vida.

Apesar disto, para a diretora do Centro de Estudios Dalinianos e curadora da exposição no Museu Rainha Sofia, Montse Aguer, Salvador Dalí em geral é “bem avaliado”, embora ela acredite que vai demorar ainda para “captar a importância de um artista interessado em temas tão distintos, o que o transformou num “personagem difícil de estudar e compreender”. “O importante é que falem de você, mas que falem bem”, lembra Montse Aguer, citando uma das frases preferidas do pintor.

Segundo ela, hoje “quase todo mundo fala bem de Dalí” e o tempo fará com que a sociedade dê mais valor à sua projeção como artista e pensador. “25 anos não são nada na história da arte”, assinalou. Neste sentido, o crítico e historiador de arte Daniel Giralt-Miracle, disse que Dalí foi uma figura “plurivalente” que teve a repercussão política que desejava: “Sua vontade era ter pessoas a favor e pessoas contra”. E o fato de, 25 anos após a sua morte, ainda provocar discussão, significa que “ele planejou bem”.

Se Dali desejava ter repercussão junto ao público, as últimas cifras mostram o entusiasmo que ainda provoca sua obra surrealista, uma arte que tem o dom de não envelhecer e que transformou o artista num autêntico fenômeno da cultura de massa. Na última retrospectiva de Salvador Dali, de 22 a 25 de março do ano passado, o Centro Pompidou, em Paris, pela primeira vez na sua história, precisou abrir suas portas 24 horas diariamente nos últimos dias da exposição, que recebeu 790.090 visitantes. Esta foi a segunda exposição mais vista na história do museu, superada apenas por uma outra, do próprio Salvador Dali, numa outra retrospectiva também no Centro Pompidou em 1979, vista por 8840.662 pessoas.

A “febre” para contemplar a exuberante imaginação do artista passou depois para o museu Rainha Sofia, onde em quatro meses atraiu 732.229 visitantes. Foi a exposição mais visitada na história de Madri. Paralelamente, o número de visitas aos museus da Fudação Gala-Salvador Dali em Figueres, Púbol e Portllitat, na região da Gironda (todos na Catalunha) bateu recordes no ano passado, tendo chegado a 1.580.517 visitantes, muitos vindos de todos os cantos do planeta.

Para Montse Aguer, apesar de a arte de Dali se inscrever nas correntes do século passado, ela continua “muito atual” porque o artista tinha “uma capacidade de antecipação” e também de “provocação”, e por isso atrai tanto o público adulto como jovens e até crianças. Mas a figura de Salvador Dalí superou nos últimos anos a sua produção artística, e os múltiplos aspectos da sua vida ainda despertam interesse, como prova o surgimento constante de livros que analisam sua produção, seu pensamento, ou sua biografia, e entre os últimos publicados está Querido Salvador querido Lorquito, que reúne toda a correspondência entre Dalí e Federico García Lorca.

Salvador Dalí será homenageado esta semana em seu povoado natal de Figueres e em Cadaqués, onde residiu grande parte da sua vida, com oferendas de flores e diversas atividades que lembrarão o mais universal artista catalão. TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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