Salvador celebra representante da dança afro-brasileira

Escola da Funceb homenageia Augusto Omolú, morto em junho, durante Encontro das Culturas Negras

Helena Katz - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2013 | 19h29

Salvador vive momentos importantes para a cultura brasileira. Primeiro, sedia o movimento Dançando as Nossas Matrizes, iniciado em 2011, que se tornou um coletivo forte e atuante. E hoje, às 20h, no Teatro Castro Alves, a Escola de Dança da Funceb faz uma homenagem a Augusto Omolú.

O evento integra a programação do Encontro das Culturas Negras e tem entrada gratuita. No dia 2 de junho, Omolú foi assassinado em Lauro de Freitas, às vésperas de se tornar assessor artístico de Jorge Vermelho, atual diretor do Balé Teatro Castro Alves.

A história de Omolú se cruza com a da dança afro-brasileira na cidade e a ela soma o seu carisma de artista e educador, sempre engajado na luta contra a exclusão e a violência. Em 1976, começa a estudar com Mestre King no Balé Folclórico do Sesc. Dois anos depois vai para o Viva Bahia e, em 1979, chega à escola do Balé Teatro Castro Alves e encontra o balé. Tornou-se professor e coreógrafo do Balé Folclórico da Bahia.

Em 1993, passou a colaborar com o International School of Theatre Antropology de Eugênio Barba e, nos quase 20 anos de convívio em Holstebro, cidade do Odin Teatret, na Dinamarca, atuou nas suas criações e em produções do grupo. De lá, espalhou o seu Seminário sobre a Dança dos Orixás pela Europa e pelos EUA. Em 2009, volta à Bahia, para a escola que havia ajudado a fundar.

Revitalizando a atenção em torno da dança brasileira, da qual Augusto Omolú foi um expressivo representante, o coletivo Dançando as Nossas Matrizes vem realizando encontros, preocupado com o que sucedeu nos dez anos de existência da Lei 10639/2003, que tornou obrigatório o ensino da História da Cultura Afro-Brasileira na Educação Básica. Maria Leda Ornelas, que assina a direção de palco da homenagem a Omolú, diz: “Estamos nos dedicando a desenrolar os equívocos que têm cercado a dança afro-brasileira. Por mais que bebêssemos dos gestuais dos orixás e do toque do tambor, o cuidado de preparar um corpo implica em recriar isso artisticamente, o que não se resolve trazendo o terreiro para as práticas”.

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