Salles e os planos de pôr o pé na estrada

Ele mostra trecho do documentário que fez como prévia para On The Road

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

Quarta à noite Walter Salles mostrou trecho de alguns minutos de Searching for On the Road (Em Busca de On the Road), documentário preparatório para sua adaptação cinematográfica do mais conhecido romance de Jack Kerouac (1922-1969). A exibição deu-se no quadro de uma aula ministrada por Salles sobre os "filmes de estrada". On the Road, que na tradução brasileira ganhou o subtítulo de Pé na Estrada, seria o protótipo literário do gênero. Desde a sua publicação, em 1957, a obra tem sido cogitada para uma versão cinematográfica, o que não ocorreu até hoje.

Em sua exposição, Walter lembrou o caráter radical do texto de Kerouac, originalmente escrito num rolo de papel de telex, um furioso fluxo de consciência, "rascante", e que teve de ser podado e aplainado para conseguir convencer um editor a publicá-lo. Ele recorda que aquela era uma época muito puritana na América e que as obras sofriam uma espécie de censura prévia, uma depuração antes de poderem ser publicadas. Mesmo assim, "depurado", On the Road foi uma revolução na cultura americana, tão fundamental quanto a publicação de O Apanhador no Campo de Centeio, de Salinger.

Estudo. Quando Salles foi convidado a dirigir On the Road (produção de Francis Ford Coppola, que detém direitos do livro), sentiu-se logo tentado a aceitar. Mas, ao mesmo tempo, via alguns problemas. "Não sou americano nem nunca me senti totalmente à vontade nas vezes em que lá vivi", diz. "Além disso, decidi que era fundamental fazer um documentário prévio, uma espécie de estudo para ver se filmar On the Road seria mesmo possível", diz. Por isso, esse pré-filme é um work in progress, algo ainda em formação e "que só terá um fim no dia em que batermos a última claquete". De qualquer forma, ainda incompleto, Em Busca de On the Road é uma reflexão em processo sobre os road movies, esse gênero antigo. Há depoimentos de Wim Wenders (Paris, Texas), e Dennis Hopper (Easy Ryder). Walter coloca também imagens de Pasolini, nas estradas poeirentas da Palestina, em busca de locações para seu Evangelho Segundo Mateus, filmado depois na região de Puglia, no sul da Itália.

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