SALAS DEFINIAM GÊNERO E GOSTO DO PÚBLICO

Filas de japoneses e brasileiros se formavam para ver filmes até mesmo fora do circuito da Liberdade, caso de Guerra e Humanidade (Ningen no Joken, 1959/1961, foto abaixo), de Masaki Kobayashi (1916-1996), épico com dez horas de duração, marcadamente socialista, exibido em três partes nos cines República, Coral e Nippon. Kobayashi também é autor de Haraquiri (Seppuku, 1962, na foto superior), que denuncia a crueldade do bushido (código de honra dos samurais) ao eleger como herói um samurai que se mata com uma espada de bambu após vender a verdadeira para ter o que comer. Os filmes de Kobayashi, até mesmo por ser ele um diretor de esquerda, tiveram enorme ressonância durante a ditadura brasileira. O livro conta casos curiosos, como o do diretor Roberto Santos - cujos filmes, especialmente A Hora e a Vez de Augusto Matraga, revelam influência do cinema japonês. Santos, perseguido e vigiado pelo regime, encontrou nas salas da Liberdade o perfeito esconderijo. O Cine Joia era, então, o preferido de cineastas como Khouri. Exibia filmes de diretores consagrados (Kurosawa e companhia), enquanto o Cine Nippon se limitava a mostrar melodramas da produtora Shochiku. Os cineastas mais jovens e experimentais eram exibidos no Cine Nikkatsu, enquanto os filmes mais movimentados da produtora Toei (de samurai e Yakuza) passavam no Cine Niterói. / A.G.F.

O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2013 | 02h09

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