Salão do livro supera expectativas

Cerca de 20 mil pessoas já visitaram o 1.º Salão do Livro de Minas Gerais em apenas cinco dias de programação, ou participaram dos concorridos debates promovidos pelo Encontro Internacional de Literaturas em Língua Portuguesa, que ocorre paralelamente ao salão. É comum encontrar gente que não tenha conseguido assistir a uma palestra ou mesa-redonda. Aberto desde o último sábado, o evento ocorre em diversos locais de Belo Horizonte e mesmo assim tem recebido um público muito acima das expectativas dos organizadores e expositores. As crianças que visitaram os estandes do Salão do Livro na Serraria Souza Pinto, levadas por suas escolas, constituiram grande parte do público. Maria Antonieta Cunha, curadora do evento, garante que a iniciativa é um verdadeiro sucesso. "Nós temos recebido muitas pessoas tanto na Serraria quanto nos debates e mesas-redondas. E o que é melhor: as discussões estão muito acalorados, as pessoas estão participando intensamente", afirma.A assiduidade pode ser verificada também nas vendas. A Distribuidora Boa Viagem, representante de editoras como Cia. das Letras, Jorge Zahar, Editora 34 e Globo, vendeu em cinco dias cerca de 2 mil exemplares, um número que surpreendeu o sócio-gerente, Guilherme Ribeiro. "Em 1998, quando houve a Bienal da Poesia, nós não atingimos essa quantidade de livros vendidos em dez dias de evento", assegura. Ele lembra que grande parte das vendas foram realizadas no domingo, dia dos pais, e na terça-feira, feriado em Belo Horizonte. Curiosamente, o campeão de vendas não é um título brasileiro e, sim, Harry Potter, de J. K. Rowling (Rocco), um livro que se destina basicamente ao público juvenil. Segundo Ribeiro, a Cia. Das Letras é a editora com maior número de exemplares vendidos no estande da Boa Viagem.Maria Antonieta Cunha diz que um dos principais objetivos do evento já foi cumprido. "A integração dos países de língua portuguesa é fundamental. E o que tenho percebido nos encontros é que o público não quer saber apenas sobre a literatura de outros povos, mas querem também conhecer a cultura", afirma Antonieta, referindo-se aos vários convidados de Portugal, Guiné Bissau, Angola e Cabo Verde, que, segundo ela, ficaram espantados com o grande retorno do público mineiro.As atividades do evento se espalharam pela cidade. Além da Serraria, onde estão os estandes dos expositores e onde acontecem alguns debates e performances, o Centro Cultural da UFMG, o Centro de Cultura de Belo Horizonte e a Biblioteca Pública Juvenil também foram palcos de seminários, mesas-redondas e apresentações culturais. Segundo Antonieta, é provável que o evento - que teve toda a sua programação gratuita - se torne um acontecimento anual em Belo Horizonte, principalmente pelo bom retorno de público que teve. A série de seminários sobre literaturas em língua portuguesa e literatura infantil já terminou, mas ainda restam algumas atrações. Na sexta, acontece o debate Intercâmbio literário, tradução e edições, com participação da tradutora belga Irène Koenders e no Domingo, o grupo vocal angolano African Kiesse mostra um pouco do canto e da poesia de seu país, ambos na Serraria Souza Pinto.Mais informações pelo site www.encontrodeliteratura.com.br ou pelo telefone 0 -- 31 277-4261.

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