Salão do Livro de Paris vira palco de eleições presidenciais

O Salão do Livro de Paris, que começa nesta sexta, 23, dá destaque para as eleições presidenciais na França. Em um espaço criado pela primeira vez neste evento, chamado "terraço político", ocorrerão debates com jornalistas, pesquisadores, sindicalistas e escritores sobre temas ligados à campanha eleitoral. Livros escritos pelos próprios candidatos ou sobre eles também estão em evidência nos estandes das editoras a pouco menos de um mês do primeiro turno das eleições, no dia 22 de abril. O centrista François Bayrou, da UDF, em terceiro lugar nas pesquisas de opinião, irá fazer uma sessão de autógrafos de seu livro Projet d?Espoir, ("Projeto de Esperança", em tradução livre), da editora Plon, no salão. Lançado recentemente, o livro do candidato que vem ameaçando nas últimas semanas a socialista Ségolène Royal já vendeu 80 mil exemplares, disse à BBC Stéphane Billerey, diretor comercial da Plon. "O mercado do livro está atualmente estagnado na França, mas as obras que tratam de assuntos políticos têm tido um ótimo desempenho nas vendas", diz ele. Faturamento Segundo dados oficiais, o faturamento do setor de edição caiu 1,5% no ano passado na França, apesar do aumento da produção, com 58 mil novos títulos. Caso Bayrou passe para o segundo turno, a Plon prevê aumentar a tiragem inicial de Projet d?Espoir, de 100 mil exemplares, para até 300 mil. A Editora Plon expõe no Salão do Livro várias outras obras ligadas às eleições presidenciais ou à política, como Madame La...., da jornalista Christine Ockrent, que analisa as mulheres atualmente no poder e discute sobre a eventual ascensão de uma mulher à presidência da França. O livro Témoignage ("Testemunho", em tradução livre) do candidato Nicolas Sarkozy, que vem liderando as pesquisas de opinião, foi lançado em julho passado pela XO Edições. Mas apesar de não representar mais uma novidade, a obra de Sarkozy, já traduzida em nove idiomas (entre elas o inglês, italiano e até o turco), tem grande destaque no estande da editora. "Normalmente o salão é para apresentar os lançamentos, mas não poderíamos deixar de mostrar o livro do candidato favorito nas sondagens e que já vendeu 300 mil exemplares", afirma Jean-Paul Campos, diretor comercial da XO. Segundo ele, o livro de Sarkozy, lançado há quase dez meses, continua sendo vendido regularmente, a uma média de 6 mil exemplares por mês. "É o melhor desempenho, pelo menos nos últimos dez anos, de uma obra escrita por um político", afirma. Pelas mulheres Mas Sarkozy não fará, como Bayrou, uma sessão de autógrafos no evento. Em todo o salão são apresentados inúmeros livros sobre temas da campanha e sobre os desafios econômicos e sociais que o próximo presidente terá de enfrentar. A Editora Bayard, por exemplo, expõe o livro do ex-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Michel Camdessus, intitulado Carta Aberta aos Candidatos à Eleição Presidencial. A editora especializada em livros femininos, Des Femmes - Antoinette Fouque, resolveu demonstrar explicitamente seu apoio político com uma foto em seu estande da candidata Ségolène Royal, seguida da frase "Com Ségolène, pelas mulheres". O Salão do Livro de Paris reúne produções literárias de 26 países, incluindo o Brasil. O estande brasileiro é representado pela Fundação Biblioteca Nacional e apresenta cerca de 500 títulos, entre livros de arte, história e literatura. O evento, realizado até o próximo dia 27, homenageia neste ano os escritores da Índia.

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