Salão do Humor anuncia seus vencedores

Quebrando uma regra de mais de 20 anos, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba divulgou os vencedores de sua 28ª. edição antes de sua abertura, no próximo dia 25. Os oito trabalhos vencedores foram escolhidos entre 1.304 inscritos - de 40 países - nas categorias charge, cartum, caricatura e história em quadrinhos.Foram premiados no cartum o belga O-Sekoer, velho conhecido de Piracicaba, tendo ganho várias vezes o salão, e o gaúcho Rodrigo Rosa, que ficou em segundo lugar, com um desenho sobre um caos de carrinhos de supermercado. Na caricatura, Luis Carlos Fernandes, de São Caetano do Sul, retratou o escritor argentino Jorge Luis Borges e levou o primeiro prêmio. Christiano Mascaro, do Recife, foi o vencedor na categoria história em quadrinhos, com uma narrativa sem balões (as falas dos personagens). Na charge, Eloar Guazzelli Filho, de São Paulo, pegou o primeiro lugar usando como personagem o coronel Ubiratan Guimarães, condenado a 632 anos pela ação que matou 111 detentos do Carandiru, em 92, e que desfilou em carro aberto durante as comemorações da Revolução de 1932, no mês passado. A premiação da charge confirma o caráter político do salão, criado em plena ditadura, em 1974, e que, até hoje, conserva a prática do humor que causa engasgos. "O salão sempre teve uma postura de oposição, diferentemente de outros pelo mundo afora. Acho que cada salão tem sua personalidade", afirma o chargista e caricaturista Paulo Caruso, presidente da comissão organizadora do evento. Segundo Caruso, um dos temas recorrentes nas charges foi o apagão. O segundo lugar na categoria, inclusive, de Osvaldo da Costa, de Santos, mostra um medidor de energia, aqueles relógios, transformado em altar, com direito a velas. Este ano, foram criadas outras premiações, além das tradicionais - de R$ 2 mil para o vencedor e R$ 1 mil para o segundo colocado. Também forem entregues os prêmios Unimed, para temas de saúde, e o Grande Prêmio Design Gráfico, que teve como vencedor uma caricatura de Maguila feita por Flávio Augusto Rossi, de Campinas, que ganhou um computador e R$ 5 mil. Nesta edição, o salão também terá série de mostras paralelas de desenhistas consagrados e locais - os Pamonhas de Piracicaba - e lançamentos, como o de Miguel Paiva, O Livro de Pensamentos da Radical Chic. Pinga - "Tem também a recuperação de um painel de Ziraldo que fica no Canecão, do Rio de Janeiro, escondido por tapumes. Ele foi digitalmente restaurado, por meio de cromos", conta Caruso. O painel tem 32 metros de largura, por seis de altura e está exposto no Engenho, em Piracicaba. Passaram pelo Salão Internacional de Humor de Piracicaba praticamente todos os nomes da arte gráfica nacional de várias gerações, como Ziraldo, Millôr, Jaguar, Henfil, Laerte, Angeli, e outros. Criado em 1974 como uma mostra local, o salão foi uma iniciativa de três jornalistas da cidade: Alceu Righetto, Carlos Colonnese e Adolpho Queiroz. Com a idéia na cabeça, partiram para o Rio para convidar Zélio Alves Pinto, então no Pasquim, a participar do projeto. Sabendo da fama etílica dos colegas de Pasquim, os três jornalistas levaram em sua viagem dois galões de pinga. Foram bastante persuasivos e o resto é história. Salão Internacional de Humor de Piracicaba - Engenho Central (Av. Maurice Allain, 454, tel.: 0xx19-421-3296). Abertura dia 25, às 20 h. Entrada franca.

Agencia Estado,

08 de agosto de 2001 | 12h30

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