Salão de Paris discute produção literária russa

Entre os salões que se realizam todos os anos em Paris, dois se destacam: o salão de Agricultura e o do Livro, que começou na sexta-feira. É verdade que a França ama ler? Este ano, sim: a França publicou mais de 50 mil títulos. Seu número de negócios é de 2,5 bilhões. E o número aumentou em 4,5% em relação ao ano anterior. Todos os anos, um país é convidado de honra do salão. Este ano, é a Rússia. A literatura soviética, que produziu gênios como Soljenitsyn, Pasternak, Babel, Mandelstam e Boulgakov (todos perseguidos por Stalin), o Ocidente conhece bem. Mas hoje, 16 anos após o fim da URSS, começamos a perceber os perfis de uma nova literatura russa. Muito rica. Muito variada. Os livros russos atuais têm duas características: por um lado, é natural que os novos autores se apóiem nas lembranças do período soviético ou da anarquia de Yeltsin e Putin. Por outro, praticam essa análise de sua sociedade encontrando os caminhos na grande literatura russa do século 19 (Chekhov, Tolstoi) e sobre ela o imenso Dostoievski que reina sempre sobre os autores russos, como reina sobre os anos de sangue, de abismo e de crueldade que são os nossos, inclusive sobre a tragédia terrorista, que ele entendeu há um século, em Os Demônios, com as figuras terríveis de Stavroguin e Chatov.

Agencia Estado,

22 de março de 2005 | 11h36

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