Saint-Laurent era um homem angustiado, diz biografia

Livro de Marie-Dominique Lelièvre levanta polêmica sobre vida do estilista cheia de angústias, drogas e álcool

EFE,

18 de janeiro de 2010 | 18h55

A biografia escrita por Marie-Dominique Lelièvre sobre o estilista Yves Saint-Laurent, que começará a ser vendida nesta quarta, 20, suscita polêmicas em torno do personagem cuja vida ela descreve como cheia de angústias, drogas e álcool.

 

"Anfetaminas, drogas, álcool começam a criar em Yves danos psíquicos irreversíveis", destaca o livro em um momento do relato sobre o grande estilista que, diz a autora, começou a levar uma vida desregrada a partir dos anos 1976-77, quando o artista foi "fulminado" pelo gênio.

 

Segundo a biografia, Yves Saint-Laurent, nascido na Argélia em 1936 e que morreu em Paris em menos de dois anos, era um personagem devorado pela angústia de ter de ser o melhor ano após ano em seu trabalho, o que o levou a cair nas mãos do álcool e outras drogas.

 

A autora, que escreveu biografias de outros personagens importantes da sociedade francesa, como o músico Serge Gainsbourg

e a escritora Françoise Sagan, não pode contar com a colaboração daquele que foi companheiro do estilista, o empresário Pierre Bergé, personagem chave na história de Yves Saint-Laurent, pois se recusou a colaborar com ela.

 

Em uma entrevista publicada no domingo, a escritora relata que o prórpio Bergé ajudou a criar o personagem Yves Saint-Laurent e se tornou um companheiro "indispensável" que privou o modista de sua "autonomia".

 

Lelièvre diz que na adolescência, o criador sofreu e viveu mal sua homossexualidade e foi vítima de segregação, o que era frequente entre os homossexuais de sua geração, segundo o livro.

A autora descreve Saint-Laurent como um homem tirânico, que recebia sem dar nada em troca, consequência, segundo ela, do "amor incondicional" que teve das mulheres de sua família durante sua adolescência.

 

O modista tratava seus funcionários de maneira esquisita. Era cultuado por eles, apesar de seu caráter e de não estipular horários definidos de trabalho. O livro mostra um Yves Saint-Laurent angustiado e voltado para o trabalho, além de depressivo e obcecado em ser o melhor sempre.

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