Saindo, Juca estuda vida acadêmica

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, não se mostrou contrariado com o fato de que sua sucessora, Ana de Hollanda, pretenda rever o anteprojeto de lei que muda o direito autoral no País. "Sei que é um governo de continuidade, e é normal que haja inflexões diferentes. Não tenho problemas com isso", disse ontem ao Estado.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

O anteprojeto está na Casa Civil, em via de ir ao Congresso, e foi resultado de três anos de debates, além de ter ficado três meses em consulta pública na internet. Ana de Hollanda integra a Associação de Músicos, Arranjadores e Maestros (Amar), cuja posição a respeito do assunto é diferente da atual gestão. "Manifesta apoio ao Ecad, condenando toda campanha de enfraquecer esta organização, conquista dos artistas", diz manifesto no site da associação.

"É legítimo que ela queira se assenhorar do projeto, como é legítimo que tenha diferenças com ele. É normal", afirmou o ministro. Ele apenas adianta que o texto em exame no governo "assimilou a contribuição de milhares de pessoas e instituições".

Ferreira afirmou que a saída de Antonio Grassi do governo, em 2005, foi uma demanda do ministro Gilberto Gil e que não vê estranheza em sua volta. "Isso é passado, não tem relevância", disse.

Juca desejou sorte à nova ministra e falou de seu futuro. Será pai de Rafael no início de janeiro. "Vivo do meu trabalho. Nos últimos 8 anos, foram de 8 a 12 horas de trabalho diário. Então, agora tenho de me ressituar", ponderou. Disse que pretende agora buscar um trabalho na área acadêmica, em uma universidade ou instituto, para sistematizar aquilo que considera os maiores avanços da gestão que integrou, primeiro com Gil e depois sozinho.

Segundo ele, os programas mais elogiados internacionalmente, como os Pontos de Cultura (5 mil no País todo) devem ser alguns que a nova ministra deverá manter e ampliar. Entre o que considera malogro do governo, está a política para as artes (música, dança, teatro e circo) e a reforma da Funarte.

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