Saiba como é processo de seleção dos ganhadores do Nobel

Gabriel García Márquez, Ernest Hemingway e Jean-Paul Sartre já eram talentos reconhecidos quando ganharam o Prêmio Nobel de Literatura. Mas, desde a primeira entrega em 1901, a Academia Sueca, integrada por 18 membros, nunca teve problemas em eleger o trabalho literário de um escritor desconhecido ou considerado obscuro pela maioria dos leitores.O processo de seleção dos ganhadores do Nobel é o mesmo para todas as categorias e começa em 1.º de fevereiro, data limite para a apresentação de candidaturas, que devem ser avaliadas sempre por cientistas, membros de academias e professores universitários.O vencedor do ano tem seu nome catapultado para a fama, seus livros esgotados ou postos novamente em circulação e um aumento de vendas surpreendente. Além disso, recebe um cheque de US$ 1,4 milhões, uma medalha de ouro e um diploma, assim como um convite para um luxuoso banquete em Estocolmo, programado para o dia 10 de dezembro, aniversário da morte do fundador do prêmio, Alfred Nobel.Para os críticos, a seleção da academia é tão difícil de compreender como seus complexos comentários sobre a obra do escritor premiado.Em 2004, a austríaca Elfriede Jelinek ganhou o Nobel pelo que a academia qualificou como "fluido musical de vozes e contra-vozes em romances e obras teatrais..."A crítica disse que o trabalho de Elfriede não estava à altura de um prêmio tão prestigioso, o que resultou na renúncia de Knut Ahnlund à Academia, em 2005, por considerar que a premiação afetou irreparavelmente a integridade do grupo.Os 18 membros da academia são vitalícios. Dois deles, Kerstin Ekman e Lars Gyllensten, renunciaram em 1989, porque a academia não quis expressar seu apoio a Salman Rushdie após a sentença de morte proferida contra ele pelo aiatolá Khomeini, por causa da publicação, em 1989, de sua obra "Versos Satânicos". O grupo recebeu dois novos membros neste ano, em substituição aos que morreram em maio.Confira a relação dos favoritosO turco Orhan Pamuk, o israelense Amos Oz, o poeta sírio Adonis e o polonês Ryszard Kapuscinski são alguns dos favoritos ao Nobel de Literatura de 2006. O nome de Pamuk cresceu este ano por causas estranhas à literatura, já que a Justiça turca voltou atrás em sua intenção de julgá-lo depois de uma campanha internacional a seu favor. Pesava sobre ele a acusação de insultar a nação turca após referir-se em uma entrevista ao genocídio armênio durante a 1.ª Guerra Mundial, coisa que a Turquia jamais reconheceu.Amos Oz, além de suas qualidade literárias, se destacou como defensor de uma solução dialogada para o conflito palestino-israelense, enquanto Adonis mescla em sua obra elementos das tradições ocidental e asiática.Já o polonês Ryszard Kapuscinski, Prêmio Príncipe de Asturias de Comunicação e Humanidades de 2003, tem compartilhado durante meio século o trabalho de jornalista com o de escritor.Todos se encaixariam no que o criador do prêmio, Alfred Nobel, definiu o objetivo de premiar uma obra literária que se destacasse por seu propósito "idealista".Nas tradicionais enquetes realizadas antes da entrega do prêmio figuram os candidatos habituais, como a argelina Assia Djebar, os norte-americanos Joyce Carol Oates, John Updike, Philip Roth, Don de Lillo, John Ashbery e Charles Bernstein, o checo Milan Kundera e o português Antonio Lobo Antunes.As letras hispano-americanas contam com alguns "eternos" candidatos como o peruano Mario Vargas Llosa, o mexicano CarlosFuentes e o espanhol Juan Goytisolo, apesar de seus nomes terem aparecido cada vez com menos força nos últimos anos.

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