Saia Justa recomeça com novo elenco

Há 11 anos no ar, programa será comandado pela apresentadora Astrid Fontenelle

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2013 | 02h07

Não deu tempo de o lugar de Mônica Waldvogel no cenário do Saia Justa esfriar. De saída do programa do GNT após 11 anos, a jornalista foi substituída pela apresentadora Astrid Fontenelle, que no dia 6 de março, às 21h30, vai dividir o sofá com as atrizes Mônica Martelli, Maria Ribeiro e a jornalista Barbara Gancia. É a primeira vez em que o time de participantes do sexo feminino é 100% reformulado desde 2002, quando Rita Lee, Fernanda Young e Marisa Orth completavam a equipe.

"Eu conversava com a TV, era o quinto elemento", conta Mônica Martelli. Assim como as outras colegas, Maria Ribeiro também afirma que sempre sonhou em ser chamada. "Estou há 37 anos querendo falar o que penso", defende a atriz. As quatro juram que se sentem à vontade mesmo diante de câmeras, pessoas no estúdio e um diretor.

"Todo mundo tem de tomar cuidado com as palavras. Às vezes, você tem um conceito bom, mas não comunica aquilo da forma correta", explica Astrid. "Acho que tenho de ouvir mais, a gente não está no boteco. Se eu não me policiar, vou ser presa", diverte-se Barbara. Maria diz que não está preocupada com a repercussão negativa de alguma declaração no programa. "Eu era fã do Paulo Francis (jornalista morto em 1997, conhecido por ser desbocado no 'Manhattan Connection', quando a atração ainda estava na grade do GNT). Mesmo que não concorde com a pessoa, acho legal ela falar. A gente gosta de confundir as pessoas. Não quero ser só amada", dispara.

Em uma conversa com o Estado, as quatro apresentadoras garantiram que ninguém se exaltou nas gravações ao ter opiniões divergentes. "Tentei fazer um bullying leve no primeiro piloto e levei uma almofada na cara", confessa Barbara. "Barbara e eu, a gente se desentende", entra Maria Ribeiro. "Tem gente neste quarteto que não liga para cachorro", reclama a jornalista. "Tem gente que liga para cachorro, mas não aguenta quando a pessoa posta 15 fotos do cachorro no Instagram por dia. Ninguém merece", rebate a atriz.

Astrid revela que bateu boca com Barbara, mas pediu desculpas diante das câmeras. "Vim aqui abraçá-la. A gente percebeu que é bom. Ela não leva mágoa para casa", explica. "Conheço a Astrid desde 1984. Já fizemos muita coisa juntas. Sexo, não", faz graça a jornalista.

Além de dar opinião, Astrid também é responsável por ouvir os comandos do diretor Nilton Travesso - que dá expediente desde a primeira edição - e organizar a bagunça das companheiras, função que era de Mônica Waldvogel. "Eu tenho de ser cúmplice do telespectador, fazer careta para eles, do tipo 'Está entendendo o que ela está falando?' A televisão exige olho no olho", analisa ela, que já apresentou o programa de discussões Barraco MTV, nos anos 1990, e atrações diárias e ao vivo, como o Melhor da Tarde (Band) e Happy Hour (GNT).

A líder do grupo evita comparações com a antecessora. "Também sou jornalista, mas são formações. Nunca quis apresentar telejornal. Mas, no Melhor da Tarde, fui chamada para entrar no ar uma hora mais cedo quando caíram as torres gêmeas, com o apoio do Jornalismo. Não me vejo atrás de uma bancada, fazendo coisas mais sérias. Sou mais debochada e galhofeira. Não é melhor nem pior", sentencia.

Para a apresentadora, seu trunfo é a espontaneidade. "Tenho uma fala fácil com a câmera. Não percebo que estou dentro do estúdio. Eu sei falar com quem está em casa, vejo fisicamente quem está lá. Treinei muitas pessoas na MTV a falar para a câmera dessa forma. Crio o sofá da casa da pessoa, e a pessoa muda a cada dia", filosofa. Ainda este ano, Astrid fará uma nova temporada do Chegadas e Partidas, sucesso do canal, em que acompanha o movimento do aeroporto de Guarulhos. "O negativo que a gente recebe desse programa é 'não vejo mais esse programa, me faz mal, sofro muito'", conta ela, que relutou quando foi convidada. "Quando recebi, falei que não conseguiria, pois choraria", relembra.

Há cerca de um ano, Astrid Fontenelle tornou pública a luta contra o lúpus. "Tenho muito respeito por essa doença, que é autoimune e não tem cura. Eu estou ótima. Desde novembro está não reagente, quer dizer que está estável", revela a jornalista, com poucas restrições. "Estou me cuidando. Saí todos os dias, fui à praia todos os dias. Não podia tomar sol nem andar na multidão. Ia à praia com roupa UV e andava na multidão com uma máscara. Não deixei de viver a minha vida em nenhum momento. Isso que me fortaleceu. "

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