"Saia Justa" é tricô entre amigas

O Saia Justa, programa do canalpor assinatura GNT que estreou na quarta-feira, é um grande"tricô" entre amigas, como definiu a cantora Rita Lee, uma dasparticipantes do bate-papo, ao lado da atriz Marisa Orth e daescritora Fernanda Young. A jornalista Monica Waldvogel,idealizadora e mediadora da atração, ficou meio apagada ao ladodo time de mulheres despachadas e sem freios na língua que, emdiversos momentos, espalharam veneno em cruéis comentários. Como âncora do telejornal Fala Brasil, da RedeRecord, Monica Waldvogel manteve sua imparcialidade e sentiu-senuma verdadeira saia-justa ao ouvir as opiniões de suascompanheiras sobre política. Apesar do evidente incômodo, amediadora não censurou ninguém, mas absteve-se de comentários.As ofensivas frases de Rita Lee e Fernanda Young contra RoseanaSarney foram como um chute no estômago da jornalista, que deviaestar pensando: "Vamos ser processadas..." Mas, tudo bem. O GNT já contava com a espontaneidade dasapresentadoras. Quem terá trabalho será o departamento jurídicoda emissora, que já foi avisado de que a tarefa é segurar abarra. Afinal, o que segura o programa é a expectativa de ouviralguma frase inusitada e saber o que existe por trás dosestereótipos das incríveis mulheres. Rita Lee com seu visualMick Jagger revelou-se fanática por futebol e discutiu o assuntocom o comentarista esportivo Armando Nogueira, que telefonoupara elogiar o Saia Justa. Quando Fernanda Young arrancasuas tatuagens e o visual punk-modernoso cai, o que se vê é umadedicada mãe e esposa que ainda acha que o fato do marido ganharum salário menor do que o da mulher causa estranheza. Arnaldo Jabor cumprimentou asmulheres durante o coquetel de estréia da atração e brincou: "OManhattan Connection que se cuide." Mas Saia Justa não éum Manhattan Connection de batom. O cenário é mais informal,assim como a proposta da atração, que é bem diferente. Não é umprograma tão informativo e intelectualizado, mas sim um espaçopara que as mulheres possam expressar suas idéias como seestivessem na mesa de um bar ou no sofá de sua casa cercada deamigas. O diretor do programa, Ric Strower, tem certeza de que,em algum momento, as protagonistas se esquecerão de que estãonum programa de televisão e começarão a conversar como"comadres". Com certeza, algúem vai afirmar que o Saia Justalevanta a bandeira do feminismo ou que é um programa somentepara mulheres. Para as apresentadoras, isso não existe. Tantoque os temas abordados foram desde novela até política, passandopor futebol e relacionamento. A idéia é confrontar mulheres deidades, profissões e personalidades diferentes. Por isso, oproblema é ver se elas se sentirão à vontade para realmentefalar o que pensam, sem auto-censura ou frases feitas paraimpressionar. Marisa Orth já disse que o programa vai ser bompara que ela quebre o rótulo de Magda, personagem que viveu porseis anos, na comédia Sai de Baixo, da Globo. Na estréia, deu para notar onervosismo de todas as participantes, apesar de elas negarem ofato. Existiram alguns minutos daquele silêncio constrangedorque foi quebrado por Monica Waldvogel com a leitura de e-mailsenviados ao programa. Fernanda Young aproveitou esses momentos para adotar umescudo: sua personagem "gata mistério", que entrou em cena nashoras em que a escritora não sabia o que dizer. Rita Lee usou osespaços para mostrar seu figurino nada convencional. Para oprimeiro programa, uma hora foi muito tempo. Faltou ritmo. Elasfalaram sobre tudo superficialmente e o quente da proposta é aqueda dos mitos e das máscaras que envolvem essas e todas asmulheres.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.