Sai uma divertida biografia de Mona Lisa

A moça acaba de completar 500 anos e ganhou mais um presente, um livro que conta toda a sua vida, desde que foi concebida, em 1503, até virar personagem do website www.monalisamania.com, visitado pelos mais alucinados internautas. O livro chama-se Mona Lisa (Editora Record, 364 páginas, em março nas livrarias) e foi projetado originalmente pelo autor, Donald Sassoon, como um documentário para a televisão. Acabou no papel. Sassoon reuniu tantas informações interessantes que considerou uma pena condensá-las num vídeo de pouco alcance. Apesar disso, o escritor diz que o retrato pintado pelo italiano Leonardo da Vinci - ou auto-retrato, segundo as más línguas - nunca foi uma de seus quadros preferidos. Quando iniciou o trabalho, morria de tédio diante da suposta mulher de Francesco del Giocondo, Lisa Gherardini (ou da napolitana Isabella Gualanda, segundo uma recente biografia de Leonardo). Quando concluiu, estava apaixonado: "Não achava a Mona Lisa particularmente bonita, mas agora acho, embora ainda não tenha descoberto por que ela sorri." Bem, isso ninguém descobriu, nem mesmo os cientistas que atribuem a esse sorriso enigmático uma suposta paralisia facial, hipótese rejeitada por historiadores de arte, que identificam no interesse desses estudiosos apenas uma necessidade mórbida de projeção.O establishment cultural - como todas as elites, segundo o autor - sempre torceu o nariz para a popularidade de Mona Lisa, que faz com que existam na Web nada menos que 93.800 páginas dedicadas ao retrato pintado sobre madeira por Da Vinci. Centenas de ensaios foram escritos sobre ele. Outras dezenas de músicas foram dedicadas à moça, da clássica canção de Livingston e Evans (Mona Lisa, por Nat King Cole) ao hino pop de Elton John (Mona Lisa and Mad Hatters). Contudo, a mais bizarra homenagem ainda é a da performática francesa Orlan. Orlan submeteu-se a várias cirurgias plásticas para ficar parecida com Mona Lisa. Outra maluca, a japonesa Reiko Ishii, seria a pioneira no bisturi, mas a artista ocidental conseguiu fama instantânea quando os organizadores de um festival de arte contemporânea vetaram a transmissão ao vivo de sua operação. Nem a vanguarda suporta mais tanta paródia de Mona Lisa desde que o francês Marcel Duchamp, em 1919, colocou um bigodinho e um cavanhaque na "femme fatale" de Da Vinci, o quadro número 779 do Museu do Louvre e o mais famoso do mundo. O "mistério" Mona Lisa originou-se no século 19, segundo Sassoon.

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