Sai novo livro de Harry Potter

No Brasil, Harry Potter envelhece mais rapidamente. Três meses após o lançamento do segundo volume no País, a Rocco, editora brasileira dos livros do aprendiz de feiticeiro, faz chegar às livrarias, na sexta-feira, o terceiro volume da série Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (350 págs., R$ 22). A tiragem inicial é de 100 mil exemplares. Busca, assim, tirar o atraso em relação aos lançamentos do exterior e, ao mesmo tempo, colocar nas estantes das livrarias (nesse caso, também encaradas como prateleiras) mais uma opção de presente de Natal.Nesse terceiro presente, Potter comemora, logo nas primeiras páginas, seus 13 anos (o jovem herói envelhece com as suas aventuras). Como sempre, Potter sente-se sozinho e discriminado, tendo de estudar magia escondido de seus tios, os trouxas (palavra usada para designar os não-bruxos) da família Dursley. Como é órfão, ele não pode escapar de passar as férias de verão com os tios.Mas pior que enfrentar a falta de imaginação e o medo que as pessoas comuns sentem da magia é ter de se deparar com vilões como Voldemort e, agora, Sirius Black, o fugitivo da prisão para bruxos de Azkaban. O aluno da escola de Hogwarts, então, tem de entrar no mundo dos adultos, em que, mesmo para os mágicos, não faltam burocracias e problemas práticos.Recordes - Ao todo, estão previstos sete volumes de Harry Potter. Em inglês, já foram lançados quatro deles. O último, Harry Potter e o Cálice de Fogo, chegou ao mercado em julho, batendo todos os recordes de primeiras edições. Até agora, a saga criada pela escocesa J.K. Rowling já vendeu 50 milhões de exemplares. No Brasil, o volume 4, capaz de fazer vergar estantes com suas mais de 700 páginas, aparece no segundo semestre.Em junho, o quinto livro, Harry Potter e a Ordem da Fênix, cujo enredo é um segredo ainda muito bem guardado, é lançado nos países de língua inglesa. Também para o ano que vem deve chegar ao cinema a primeira aventura de Harry Potter. O personagem literário terá, a partir de então, sua imagem usada à exaustão."Harry é o garoto que a maioria das crianças sente ser, perdido num mundo de adultos aos quais falta imaginação e que muitas vezes são desagradáveis, que não as compreendem nem estão interessados em compreendê-las", escrever o autor de best sellers Stephen King. Daí o sucesso da série (o volume 1 vendeu 200 mil exemplares no Brasil, e o 2, 150 mil).O fenômeno Harry Potter se reapropria da lógica dos contos de fada. Um exemplo disso é a cicatriz que ostenta na testa, uma marca que, ao mesmo tempo, o estigmatiza e o predestina, na opinião da crítica literária Walnice Nogueira Galvão. Para ela, J.K. Rowling segue o modelo analisado por Vladimir Propp, em Morfologia do Conto Maravilhoso.Para a escritora e tradutora de livros infantis Tatiana Belinky, J.K. Rowling explora, com bastante sucesso, o universo do imaginário infantil anglo-saxão, mas suas histórias continuam interessantes, mesmo para as crianças de outros países. Ela, no entanto, não considera a série uma obra-prima e defende, por exemplo, que os vilões são exclusivamente maus, o que lhes tira força, por não serem nem um pouco sedutores.O mais impressionante da série, no entanto, é o fato de ela ter transformado crianças de 9 a 13 anos em leitoras vorazes de obras que ultrapassam em muito uma centena de páginas. As crianças é que apresentam os livros aos pais. E uma leva o livro à outra. Ainda é um fenômeno muito maior que as macaquices dos publicitários em torno da obra. O que se espera é que os excessos do marketing não acabem por tornar Harry Potter um insuportável lugar-comum.Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. De J.K. Rowling. Rocco (tel. 0--21/507-2000), 350 págs., R$ 22.

Agencia Estado,

29 de novembro de 2000 | 18h29

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