Sai nova edição de ´Monstro do Pântano´, reivenção do terror

Livro inédito mergulha o leitor no tenebroso e rico universo do britânico Alan Moore

Agencia Estado

27 Junho 2007 | 16h14

Seria o gênero de terror uma maneira de atenuar nossas emoções diante da realidade, uma ferramenta para entender ou investigar o horror cotidiano sem causar dano físico ou mental? Essas são perguntas que Alan Moore faz ao leitor na introdução de A Saga do Monstro do Pântano (Pixel, R$ 54,90, 193 páginas), lançada na última sexta-feira, 22. A edição, de excelente tratamento (com capa dura, papel espelhado), reúne oito das primeiras histórias em quadrinhos escritas pelo autor britânico na editora DC durante a década de 80, e mergulha o leitor no tenebroso (e rico) universo de Moore. No Brasil, as histórias do personagem foram publicadas por várias editoras, espalhadas entre vários títulos com várias reedições. A edição da Pixel chama atenção por trazer uma história inédita por aqui, a primeira escrita por Alan Moore, originalmente publicada nos Estados Unidos em Swamp Thing #20, em janeiro de 1984. O protagonista, o Monstro do Pântano, foi um personagem criado em 1972 por Len Wein e Berni Wrightson, e contava a história de Alec Holland, um bioquímico que cria uma fórmula "bio-restauradora". Vítima de violenta explosão transforma-se num homem vegetal, justiceiro dos pântanos da Louisiana. Mal das pernas depois de alguns anos, o título passou por diversos autores, até chegar em Alan Moore, que redimensionou a natureza do personagem, e por tabela, os próprios quadrinhos. Inimigos Na imaginação do criador de V de Vingança e Watchmen, o Monstro do Pântano não era Alec Holland transformado em planta, mas uma planta que acreditava ser Alec Holland. Dando-se conta que a humanidade é algo perdido, o "herói" passa a viver as mais obscuras experiências, num mundo em que "anjos e demônios andam com impunidade", segundo as palavras do autor. Contudo, o verdadeiro terror vem daqueles que o cercam. Seus inimigos são personagens como o Homem-florônico, tradicional vilão da DC, Matt Cable, um alcoólatra que consegue dar vida aos seus devaneios mais insanos e Anton Arcane, provavelmente, um dos mais monstruosos personagens a habitar os quadrinhos. Todos, de alguma maneira, ameaçam Abigail Cable (mulher de Matt e sobrinha de Arcane), mocinha da história e foco do amor do Monstro do Pântano, ela mesma, personificação de sua agonia, uma vez que a união entre os dois é impossível. Se, por um lado, as referências em Saga do Monstro do Pântano são os próprios quadrinhos (o personagem vive no mesmo universo do Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha), por outro, Alan Moore inseriu detalhes que só um público mais atento é capaz de apreciar. Entre as menções, o autor homenageia o escritor H.P. Lovercraft, e uma das obras do pintor Goya dá nome à história O sono da razão..., referência à tela El Sueño de la Razón Produce Monstruos, (O Sonho da Razão Produz Monstros, em tradução livre para o português) feita pelo espanhol em 1797. Na história, pesadelos infantis são, apropriadamente, demoníacos e por isso devem voltar para seu lugar de origem (seria o inferno uma mente infantil?). Público maduro A maneira mais "séria" de escrever quadrinhos foi o que garantiu o sucesso de Monstro do Pântano, e levaria a DC Comics a criar um selo exclusivamente voltado para o público maduro, espaço que ficou consagrado com títulos como Sandman e Preacher. Embora o tipo de narrativa criada pelo autor - assim como qualquer resenha sobre as obras de Alan Moore - pareça bizarra ou "pesada", A Saga do Monstro do Pântano é a mostra de que quadrinhos não ficam devendo a qualquer clássico da literatura como Crime e Castigo ou O Retrato de Dorian Gray. Difere apenas na maneira de expressão, tendo em comum aquelas experiências que tocam, amedrontam ou emocionam, os temas mais simples, os que mais valem a pena ser narrados, diria Moore. Em tempo: A Saga do Monstro do Pântano e vários outros quadrinhos estarão à venda com descontos de até 20% na 12.ª Fest Comix, do dia 29/6 a 1/7. O evento acontece no Colégio São Luis, Rua Luis Coelho, 323 (Metrô Consolação), em São Paulo. O ingresso custa R$ 5,00. Mais informações: tels (11) 3951-5029 e (11) 3951-5037, ou no site.

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