Sai "Diário Póstumo", de Eugenio Montale

Em 1979, Eugenio Montale entregou à sua mulher Annalisa Cima, sua herdeira testamentária, uma coleção de dez envelopes numerados e lacrados por ele, cada qual com seis poemas, para que, a partir do quinto ano de sua morte, fossem abertos anualmente, por sorteio, e o conteúdo publicado sob forma de plaquete. Ele morreu 1981. Além desses envelopes, havia um outro maior, em cujo interior estava o que poderia ser o 11.º envelope da série, não numerado, com 18 poemas. No conjunto, 84 poemas, que deveriam estar ao alcance do público no centenário de seu nascimento. Diário Póstumo é o livro que a editora Record está lançando com poemas inéditos, em edição bilíngüe português-italiano. Eugenio Montale ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1975. É um poeta amoroso, que confronta os dilemas da história moderna, filosofia e fé. Montale nasceu em Gênova, em 1896. Interrompeu os estudos clássicos para se dedicar ao canto, que foi forçado a abandonar em 1915, ao ser convocado para guerra. De volta ao país, viveu em Gênova até 1927, transferindo-se para Florença, onde foi diretor do Gabinete Vieusseux, de literatura e ciência. Nesta época, tornou-se conhecido como poeta, crítico e tradutor. Privado do emprego com o surgimento do fascismo, foi obrigado a silenciar-se. Posteriormente fixou-se em Milão, ocupando o cargo de redator do Corriere della Sera.É considerado o mais expressivo representante italiano da poesia hermética. Mais que um programa estético, o hermetismo de Montale nasceu da necessidade de exprimir uma visão complexa da existência, combinando elementos descritivos e uma visão intimista da realidade. Os poemas são curtos, em linguagem de extrema contenção, como a dos outros grandes poetas da época, como Ungaretti e Quasimodo. Diário Póstumo, de Eugenio Montale, Record, 208 págs., R$ 28

Agencia Estado,

02 de fevereiro de 2001 | 19h03

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