Sai Dalva e entra Lana Bittencourt no musical Cauby

A cantora Lana Bittencourt está feliz da vida em virar personagem, com 12 minutos de falas e canções, no musical Cauby, Cauby, que lota o teatro Sesc Ginástico desde 13 de julho. Ela entrou na história, que tem Diogo Vilela vivendo o cantor, porque a família da cantora Dalva de Oliveira pediu para retirar as cenas em que ela aparece de olho roxo, resultado de provável briga com o compositor Herivelto Martins, e bêbada. São cenas rápidas e sutis, mas o pedido foi atendido. "Lana Bittencourt já era citada, pois foi proibida pela ditadura de cantar por ser filha de comunistas. Só Cauby lhe deu trabalho na boate Drinks", lembra o autor do texto Flávio Marinho. "Com esta passagem o espetáculo ganhou uma conotação política."Na terça-feira, ele levou a atriz Sylvia Massari, que fazia a Dalva e agora é Lana,para conhecer a nova personagem, em carne e osso. Ela se apresentava na Casa Julieta Serpa, num leilão do projeto Loucos por Música, e os recebeu de braços abertos. "É a glória estar num musical do Cauby Peixoto, amigo de muitas décadas. Sou patrimônio nacional, quero virar estátua de praça. Esta homenagem é um passo para isso", disse a cantora, antes de imitar o amigo. "Eu só recomendo à Silvia ser alegre e extrovertida no palco, como eu sou na vida."Sylvia soube da mudança na quinta-feira passada e deixou de ser Dalva (estava perfeita) para virar Lana ("está a própria", elogiou Flávio) em duas horas. "Foi doído abandonar um trabalho de três meses para chegar ao tom certo de Dalva, um corte na emoção", lamentou a atriz que, nos anos 80, protagonizou o musical A Estrela Dalva, em São Paulo. "Ainda bem que o repertório das duas é parecido e a Lana, que fazia muita revista e variedades, cantava de tudo. Só pediu para incluir um número misturando Hymne à l´amour e La Vie en Rose, dois sucessos de Edith Piaf, de quem foi amiga."Na récita desta quinta-feira, o repertório começa a aparecer. Saem A Bahia te Espera, Praça 11 e Segredo e entram Ave Maria (a de Vicente Paiva), Malagueña e Little Darling, um rock do repertório de Lana. "Quero que ela me veja na semana que vem, quando todas as canções estiverem prontas", pediu Sylvia. Com o ingresso mais caro a R$ 25,00, a peça é um sucesso, com lotação esgotada até 21 de setembro. A produção já negocia extensão da temporada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.