Sai antologia da ficção de Aluísio Azevedo

A editora Nova Aguillar lança hoje, na Academia Brasileira de Letras, a antologia Aluísio Azevedo - Ficção Completa (R$ 280), coleção oportuna para especialistas, estudantes ou quem gosta de boa ficção. A edição se baseou em manuscritos da Casa de Rui Barbosa e da Academia Brasileira de Letras, onde ele fundou a cadeira nº 4, e em edições originais. Na narração, segue a ortografia moderna, mas o linguajar dos pobres, imigrantes, escravos e negros livres, tão bem reproduzido em seus textos, foi mantido no original. "Azevedo deve ter sido o primeiro escritor que saiu em pesquisa de campo. Era um aristocrata maranhense, que se tornou diplomata, mas vestia-se como o povo dos cortiços e ruelas do Rio para buscar personagens e histórias", explica o diretor-presidente da Nova Aguillar, Sebastião Lacerda. "Isso num tempo em que ninguém escrevia sobre os pobres." O resultado desse apuro é o rico painel humano de O Cortiço, seu romance mais popular; a crítica à aristocracia de seu Estado natal, de O Mulato, seu livro de estréia, ou as idas e vindas da história em Casa de Pensão. É também resultado da formação de Aluísio, que prestou exame na Academia de Belas Artes, mas desistiu porque, morto seu pai, precisou trabalhar para manter-se. "Fiz-me romancista, não por pendor, mas por me haver convencido da impossibilidade de seguir a minha vocação, que é a pintura." Mesmo assim, escreveu folhetins sob pseudônimo e reescreveu outros para lançar como livro. "O único com autoria reconhecida é Mattos, Malta ou Matta?, romance epistolar sobre um crime da época, publicado no jornal O Fluminense, de Niterói, e nos anos 80, em livro", ressalta Lacerda. "Há outros textos, mas só incluímos os de autoria certificada. Também escritos de viagem ficaram fora. Mas entraram Girândola de Amores e O Homem que não estavam disponíveis há muitos anos."A Nova Aguillar se especializou em antologias completas, como a de Aluísio Azevedo, ou seletas, como a de João Ubaldo Ribeiro, que sai na semana que vem, na Primavera de Livros. São dela também as de Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes e, até novembro, vem a de Mário Quintana.

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