Safira, a jóia de Cláudia Raia em "Belíssima"

Criada pelo amigo Silvio de Abreu, a estabanada personagem de Belíssima rouba as cenas na trama Que Cláudia Raia é engraçada todo mundo sabe. Desde sua estréia nos anos 80, caracterizada como Tonhão, o apresentador machão da TV Pirata, papéis cômicos a perseguem. Em Belíssima ela continua divertida, mas não é só isso. Boas doses de drama, numa trama cheia de conflitos, fazem da estabanada Safira uma personagem com tom próprio. A graça, na verdade, vem do próprio exagero emotivo dela, bem caricatural. "Safira é absolutamente passional. Aprendeu isso com a mãe, que é grega. Vai do choro ao riso com grande facilidade. Para ela, tudo é uma questão de vida ou morte", avalia Cláudia. Mais divertido do que rir das explosões dramáticas de Safira, é analisar sua trajetória amorosa. Depois de casar-se cinco vezes, ela curte a liberdade trocando beijos quentíssimos e eventuais com o mecânico Pascoal (Reynaldo Gianecchini), embora negue para todos o envolvimento. "Aquela mulher é uma volúpia! Ela se contém apenas por causa da rígida educação que recebeu dos pais. Safira é correta, nunca trai o companheiro. Quando pensa em trair, vai logo se divorciando. Ela lançava olhares famintos para Pascoal há muito tempo, mas sempre reprimiu seu desejo até ficar totalmente livre do marido japonês." É no núcleo nipônico da novela que o humor de Sílvio de Abreu atinge níveis máximos. Quem ganha com isso é o novato Eduardo Hashimoto, que passaria desapercebido na trama se não fosse por sua tara pela madrasta. A expressão de espanto de Safira ao vê-lo furtando uma de suas calcinhas fez do japonesinho um dos destaques jovens do elenco. O pai dele, Takae (Carlos Takeshi), também arranca gargalhadas quando banca o samurai para defender Safira da cobiça alheia. "Tem como não rir dessa mulher? Gente, ela coleciona maridos! Teve um judeu, um português, um italiano, um japonês ... Para mim está sendo muito saboroso. Sou uma comediante há bastante tempo, acho mais gostoso fazer humor." Safira é bem mais do que um bom personagem para Cláudia. "Ela é uma homenagem. O Sílvio criou esta mulher maravilhosa especialmente para mim. Além de colegas de trabalho, somos muito amigos", conta. Não é à toa que mais da metade das novelas estreladas por Cláudia foram escritas por ele. Na primeira delas, Sassaricando (1987), viveu a inesquecível feirante Tancinha. Abreu quem deu a ela a chance de interpretar uma vilã de verdade, a Ângela, a mulher maquiavélica de Torre de Babel (1998). Safira, a Escandalosa Com blusas decotadíssimas e saias bem ajustadas no corpão de 1.80m, Safira exala sensualidade, como toda personagem interpretada por Cláudia. Assim foi quando ganhou o apelido de Maria Escandalosa, em Deus nos Acuda (1992), quando viveu a adorável trambiqueira que conquistou o coração de Edson Celulari. Quem não riu dos tombos levados pela desastrada bailarina da coxa grossa em Rainha da Sucata? "Minhas personagens sempre são meio estabanadas. Eu mesma sou assim. Sou muito grande, derrubo tudo no cenário. Safira também vive levando seus tombos, mas ao menos ela tem a sorte de sempre cair bem em cima do Pascoal, não é?", brinca. Às vésperas de completar 40 anos, Cláudia se orgulha de sua boa forma, resultado de anos de dança. Na pele da sexy dançarina Ninon, de Roque Santeiro, transformou-se em uma das musas da época. Hoje, após vinte anos de carreira, o talento dela finalmente ganha mais destaque do que suas belas pernas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.