"Sabor da Paixão" apela pelo paladar

Se você sentir água na boca assistindo à novela Sabor da Paixão, que estréia amanhã, na Rede Globo, os profissionais da emissora terão atingido seu objetivo. O maior desafio da produção de arte da nova trama das 6, coordenada por Luiz Pereira, é tornar atraentes ao público os pratos da culinária portuguesa e de outras procedências que aparecerão ao longo da história. O folhetim é ambientado no bairro da Lapa, no centro do Rio, onde a cada dia surgem novos restaurantes, botequins e casas de samba. Afinal, como fazer o público sentir vontade de comer aquelas delícias se, como diz a diretora Denise Sarraceni, "a televisão ainda não traz os cheiros e os sabores do que mostra"? Para Pereira, que criou em Coração de Estudante uma cidade histórica mineira e, em Estrela Guia, uma comunidade hippie, "é um novo desafio, um aprendizado, não exatamente difícil". Os problemas que ele enfrenta chegam a ser prosaicos. "Como o principal atrativo da culinária portuguesa não é o visual, o jeito foi misturar muitos legumes e verduras e, quando é preciso caprichar, entrei com o cozido, sempre um prato bonito", ensina o produtor de Arte. Ele conta com quatro assistentes para produzir os pratos que devem atrair a clientela do restaurante Flor do Douro e outras casas da Lapa, dois contra-regras especializados para cada grupo de cenas gravadas, além de uma infra-estrutura enorme, com cozinha de última geração, fornos de micro-ondas para deixarem a comida sempre quentinha e com aspecto de gostosa. E o resultado não é de mentirinha. Pereira precisa ser firme para que a gula não vença atores e a equipe técnica, sempre disposta a provar dos acepipes. "A Lília Cabral, por exemplo, faz uma doceira e o cenário dela tem as maiores delícias que você pode imaginar. Ela já disse que vai se controlar, pois gosta de doces", conta Pereira, que aprendeu em casa como a colônia portuguesa se alimenta e faz festas. "Sou descendente de pai e mãe portugueses e não estou inventando nada. Mais adiante, deve aparecer um restaurante mais sofisticado, mas ainda não recebi as cenas." "Em novela, a gente trabalha com uma obra aberta, em que a história pode mudar e temos de nos adaptar. Cada personagem tem um universo e temos de estudar para construí-lo e torná-lo o mais real possível", conclui. Truques para mastigar em cena - Simples não é, mas ele dá um jeito, especialmente em cenas com muitos personagens, com um cenário amplo, aberto. "Outro dia, tínhamos um banquete num restaurante e precisávamos encher panelas grandes de comida, mesmo que elas só apareçam de relance", lembra Luiz Pereira. O grande problema, no entanto, é para os atores que vão comer em cena e, mesmo adorando o prato, precisam se conter, pois todo mundo sabe que falar e mastigar ao mesmo tempo, além de pouco educado, não funciona em dramaturgia. "A comida é a de sempre, mas os atores têm um jeito de dar uma mordida pequena, disfarçam que estão comendo." Uma coisa Pereira garante: nenhuma comida é cenográfica (mocapo, no jargão de televisão e publicidade), tudo é de verdade e são feitas tantas unidades quanto as tomadas de cenas exigirem. "A sorte é que em televisão a gente conta com uma grande estrutura e uma pré-produção azeitada", diz ele. "Por isso, só fazemos a quantidade de comida necessária às tomadas que serão feitas de cada cena."

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