Ruy Guerra dirige peça inspirada em James Joyce

Ruy Guerra ama a palavra. O que para muitos cineastas soaria incoerente, já que, a priori, a sétima arte prima pela imagem, para Ruy Guerra é a parte de um todo maior. Ruy Guerra é artista. E como tal, sabe que seu perfil é feito não só da imagem ou da palavra, mas também do teatro, da música, da fotografia, das aulas que ministra e até mesmo da literatura. A propósito, aos 80 anos, está decidido: vai se dedicar aos seus livros depois dos 100.

AE, Agência Estado

19 de setembro de 2012 | 10h24

"Não é na aposentadoria. Depois dos 100, finalmente vou ter tempo. Fazer um filme a cada quatro anos... Tentar bater o Manoel de Oliveira, que aos 104 ainda filma...", brincou o diretor em conversa com a reportagem no domingo, após a sessão de sua mais nova empreitada: a peça "Exilados", primeira adaptação na América Latina da obra de James Joyce, em cartaz no Teatro Nair Belo. A ação se passa em Dublin, no início de 1912, e traz o triângulo amoroso entre o escritor Richard Rowan (André Garolli), sua mulher Bertha (Franciely Freduzeski), uma jovem mulher à frente do seu tempo e Robert Hand (Álamo Facó), jornalista e amigo de Richard, apaixonado por Bertha que se vê em conflito entre seu desejo e as convenções sociais.

Como parte do complexo perfil de Ruy Guerra, dirigir teatro não é só mais uma maneira de ganhar a vida, mas um exercício de linguagem. O que ele pratica nos palcos, o contato que tem com os atores, o trabalho de adaptação do texto de Joyce para o ''brasileiro'' aplica nas outras artes, como no caso de "Quase Memória", próximo filme baseado na obra de Carlos Heitor Cony, previsto para o próximo ano.

O mesmo ocorre com o teatro, para onde leva o que praticou a vida toda no set. A montagem do texto de Joyce, que consumiu três meses ininterruptos de trabalho para ser adaptado, em parceria com Diogo Oliveira, possui nítidos elementos do cinema, como a forte marcação de cena.

A propósito, a conversa com a reportagem ocorreu na casa da historiadora e amiga Vavy Pacheco Borges. O local não foi por acaso: Vavy está escrevendo a biografia de Guerra e, em parceria com dois pupilos e assistentes dele, Diogo Oliveira e Bruno Laet, prepara um documentário sobre o diretor nascido em Moçambique, que escolheu o Brasil para viver e ganhou prestígio mundial após dirigir obras-primas como "Os Fuzis" (1964) e "Os Cafajestes" (1962). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

EXILADOS

Teatro Nair Bello (R. Frei Caneca, 569). Tel. (011) 3472-2414. Sáb., 21 h; dom., 18 h. R$ 50. Até 7/10.

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