Ruth Escobar entra em guerra pelos "Lusíadas"

A nau de Os Lusíadas está à deriva. Pelo menos desde maio, quando o musical, em cartaz na Estação das Artes, perdeu a direção e sofreu intervenção direta da produtora Ruth Escobar. São dois os motivos alegados para a tempestade que sacudiu o espetáculo de R$ 2 milhões. Ruth alega que a montagem é indigna de seu passado. Criticou a direção e o figurino, vai tirar a peça de cartaz e estrear uma nova versão da epopéia de Camões em outubro.Na trincheira oposta se posicionam o diretor-geral, Iacov Hillel, e o adaptador e figurinista José Rubens Siqueira. Eles reivindicam pagamentos de direitos autorais de maio até agora. Alegam que o acordo com Ruth Escobar previa apenas dois meses de temporada, a contar da data de estréia, em março.Siqueira e Hillel pleiteiam 6% da bilheteria proporcional aos cinco meses da temporada esticada, sobretudo os rendimentos relativos às visitas escolares financiadas com recursos da Secretaria Estadual de Educação. No centro do tiroteio está a ausência de um contrato legal entre as partes."Foi um acordo entre dois cavalheiros e uma dama", diz Siqueira. Acordo, segundo ele, quebrado pela produtora tão logo ela percebeu a viabilidade comercial da montagem. Anteontem, Ruth Escobar declarou estar indignada com a "má-fé", e completou: "Quando se faz um espetáculo e se quer percentual, tem que falar, e isso jamais foi dito".As confusões em torno da produção de Os Lusíadas começaram no ano passado, quando a montagem foi anunciada por Ruth Escobar em comemoração aos 500 anos do Descobrimento. Hillel foi o primeiro diretor a recusar participar, alegando falta de tempo.Ruth convidou então José Possi Neto, Gerald Thomas, Amir Haddad e Márcio Aurélio. Todos recusaram. Em dezembro, novo convite foi feito a Hillel, que assumiu a direção em janeiro e estreou o musical em 23 de março. "Quando a Ruth viu a estréia, ela disse que estava ótima. Agora vai aos jornais e diz que a direção se perdeu. Não é possível aceitar críticas a posteriori", diz Hillel.Siqueira também argumenta que a produtora aprovou as 308 roupas desenhadas por ele para os 52 atores, dançarinos e cantores do musical. Ruth declarou esta semana que os figurinos se parecem com os de "escola de samba pobre".Além disso, de acordo com o diretor e o figurinista, o clima nos bastidores, envolvendo o elenco e a equipe, "está sob um nível de pressão insuportável". "Há muitos atores que gostariam de não acompanhar a nova versão, mas por razões financeiras vão continuar", afirma Siqueira. Ele também alega que ninguém do elenco está ganhando palas apresentações extras.Segundo a advogada Luciana Rangel, especialista em direitos autorais, a falta de contrato legal entre produtores e equipe é muito comum. "É preciso reunir elementos que provem que a temporada acordada era mesmo de apenas dois meses. A Lei de Direitos Autorais costuma colocar muito mais em risco a parte que contrata", diz.

Agencia Estado,

06 de setembro de 2001 | 11h55

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