Russos lamentam morte do escritor Alexander Soljenítsin

Por mais de 20 anos, Nobel de Literatura em 1970 foi símbolo de resistência intelectual ao regime comunista

Maria Golovnina, da Reuters,

04 de agosto de 2008 | 09h24

Muitos russos lamentaram nesta segunda-feira, 4, a morte do escritor russo Alexander Soljenítsin, cujas críticas à tirania do comando soviético o tornaram uma das figuras mais corajosas do século XX. Soljenítsin, vencedor do prêmio Nobel de literatura em 1970, morreu no domingo aos 89 anos, como consequência de problemas cardíacos, em sua casa perto de Moscou.     Veja também:   Sai em inglês a versão integral de 'O Arquipélago Gulag' Morre Alexander Soljenítsin, símbolo de resistência na URSSA obra de Soljenítsin expôs o horror dos campos de trabalhos forçados de Josef Stalin, conscientizando uma nação inteira. Mikhail Gorbachev, o último líder soviético, descreveu Soljenítsin como um "homem de destino único cujo nome vai permanecer na história da Rússia". "Ele foi uma das primeiras pessoas a falar abertamente dos aspectos desumanos do regime de Stalin e das pessoas que viviam sob isso, mas não foram corrompidas", disse Gorbachev, que devolveu a cidadania soviética do escritor, à agência de notícias Interfax. Por mais de 20 anos, Soljenítsin foi um símbolo de resistência intelectual ao regime comunista. Nascido em 1918, Soljenítsin formou-se em matemática, mas sua paixão sempre foi a literatura. Ele serviu no Exército soviético durante a 2ª Guerra até ser preso, em 1945, por criticar o modo como o ditador Josef Stalin conduziu o conflito. As críticas renderam-lhe uma década na prisão (período no qual enfrentou e venceu um câncer) e em campos de trabalhos forçados na Sibéria - experiências que marcariam suas obras.   O escritor atingiu a fama mundial em 1962 com Um Dia na Vida de Ivan Denisovich, um curto romance que conta a história de um companheiro no campo de trabalhos forçados da Sibéria. Na época, a obra foi considerada um ataque ao regime soviético. Em 1970, ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura por uma série de livros publicados no exterior, como O Primeiro Círculo e O Pavilhão de Cancerosos. Em 1973, publicou em Paris sua obra mais conhecida, Arquipélago Gulag - um relato minucioso em 1.800 páginas dos campos de trabalhos forçados. Por causa das denúncias contidas no livro, Soljenítsin foi considerado um "traidor" pelo regime, teve sua cidadania suspensa e acabou expulso da URSS em 1974. Do exílio - ele morou na Suíça e nos EUA, onde viveu 18 anos recluso no interior de Vermont - o escritor tornou-se um ícone da resistência ao regime soviético.    

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