Russo está em novo trabalho do grupo

Não termina em Tio Vânia a incursão que o Galpão empreende pela obra de Chekhov. Enquanto uma parte do grupo excursionava com o espetáculo ao redor do País, a outra metade manteve-se em sala de ensaio. Debruçados sobre os contos do escritor russo, os atores conceberam um novo trabalho. Com estreia marcada para o próximo dia 1.º, em Belo Horizonte, a peça extrapola os limites da dramaturgia chekhoviana e busca - a partir dos textos curtos - temas recorrentes na literatura do autor. "Questões como felicidade, fé, meio ambiente, a função do talento e do artista", comenta o ator Chico Pelúcio.

O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2011 | 03h06

Para que essas questões se desenvolvam, a montagem elege como moldura a imagem de um eclipse que nunca termina.

Na concepção do espetáculo, o Galpão seguiu o modelo que o caracteriza há décadas: chamou um diretor convidado. Desta vez, porém, o encenador em questão é o russo Jurij Alschitz, sediado em Berlim. E, grande parte do processo de criação, deu-se à distância. "Foi um pouco diferente, por esse caráter internacional, pela barreira da língua", considera Pelúcio. "Mas já estamos acostumados a trabalhar sozinhos. Com outros diretores já havia sido assim, tínhamos 'deveres de casa'.''

Desta vez, as tarefas incluíram a leitura de mais de 150 contos do autor e a criação de cenas a partir de vários textos. O trabalho incluiu duas etapas: uma aqui e outra na Alemanha, onde o grupo encontrou o encenador na para uma temporada de ensaios. Agora, é Jurij Alschitz quem está no Brasil para fazer os arremates na montagem.

O resultado deve soar bem diferente daquele que a companhia alcançou em Tio Vânia. Em Eclipse, o foco não está direcionado para personagens com dimensão psicológica. E mira os pressupostos do construtivismo russo. "São figuras que só existem a partir desse eclipse. Não tem história, passado", diz o ator. / M.E.M.

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