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Russell Crowe, entre a fé e o Twitter

No Rio para divulgar 'Noé', ator, que não para de tuitar, andou de bicicleta pela cidade, definida por ele como bela e caótica

LUIZ CARLOS MERTEN / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 02h10

Para sua fama de turrão, Russell Crowe revelou-se uma simpatia no Rio. Foi ele que manifestou à Paramount do Brasil sua vontade de vir ao País para o lançamento do épico bíblico Noé, de Darren Aronofsky. O escritório brasileiro da empresa desdobrou-se para organizar o evento no exíguo prazo de 20 dias. Crowe chegou ao Rio num jato particular, procedente de Roma. Aterrissou na quarta à tardinha, saiu para jantar - não exigiu privacidade, comendo num restaurante badalado - e tirou quase toda a quinta para descansar.

Foi um longo caminho até o Rio. Domingo passado, ele estava na Turquia, foi a Moscou e a Roma - onde teve um encontro a portas fechadas com o papa Francisco - e voou para o Brasil. No tapete vermelho de Noé, no Cinópolis Lagoon, chegou a ironizar. Disse que o Rio parecia uma cidade bonita, pelo que havia conseguido ver da janela do quarto. Ontem pela manhã, pegou uma das bicicletas que trouxe na bagagem e saiu pedalando. Percorreu a orla - estava num hotel de Ipanema - e foi até as Paineiras, de onde sai o trem para o Cristo Redentor. Fez o passeio com seu segurança particular e ambos foram monitorados por van cheia de seguranças contratados pela distribuidora. Crowe elogiou a paisagem, mas ressaltou - "Andava no meio dos carros. Foi tudo muito caótico."

Crowe não se furtou a comentar a proibição de Noé em muitos países árabes. "Como se trata de um filme sobre a fé, seria interessante se essa discussão ultrapassasse fronteiras." Lamentou o xiismo como um dos males do nosso tempo. Sobre Noé, disse que todo mundo acha que sabe sua história - a arca de animais, o dilúvio. "Mas, na verdade, o que conhecemos é a versão infantil. É uma história muito mais complexa." Noé está longe de ser um super-homem. Nem é ele que escolhe quem vai entrar na arca. "A tragédia de Noé é que ele é um servo de Deus. Não escolhe nada, mas é escolhido para carregar um fardo pesado."

Foi desse jeito que entendeu e interpretou o personagem. Não crê que Noé marque seu retorno ao épico. "Não escolhe papéis nem filmes em função dessa classificação. É o desafio de interpretar figuras apaixonantes, com diretores que me estimulam." Noé pode estar embutido numa história de época, mas é um homem comum. Sobre sua carreira de ator e, agora diretor, conta que tem o DNA do cinema no sangue. Acrescenta que já gostava da profissão de ator, mas descobriu que ser diretor é muito melhor. "Como ator, sou um instrumento para expressar a visão do diretor. Como diretor, é o meu imaginário que vai para a tela. Gostei."

Ontem mesmo, encerrada a coletiva e as individuais, rumou para o aeroporto, onde outro jato particular o levou para Los Angeles - e o tapete vermelho de Noé nos EUA.

O filme estreou ontem no México, nos EUA estreia dia 28 e, no Brasil, em 3 de abril. A Paramount está preparando um lançamento gigantesco. Serão cerca de 900 salas, em dois formatos, 2D e 3D. Dia 27, estreia aqui Rio 2, também em 2D e 3D. E no dia 10, Capitão América 2 - Soldado Invernal, nos dois formatos. O circuito brasileiro não tem tantas salas em 3D. Quantas vão tirar Rio 2 de cartaz para abrigar o dilúvio, segundo Aronofsky e Crowe. A pergunta não foi levada ao astro de Gladiador, mas foi discutida com o distribuidor. Hollywood vai se entredevorar no Brasil, nessa briga por mercado. Leitores e espectadores podem acompanhar o tour de Crowe entrando no twitter do ator. Ele não dá um passo sem tuitar.

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