Rumos Dança seleciona 45 artistas

O Itaú Cultural divulgou uma lista com 45 intérpretes/criadores selecionados pelo Rumos Dança, um projeto que tem como objetivo mapear a dança contemporânea no Brasil. Esses artistas poderão gravar o trabalho em vídeo e as fitas serão distribuídas em festivais e videotecas. Eles também receberão um ensaio crítico assinado pelo curador-assistente e participarão, em fevereiro, de oficina. No mesmo mês, haverá ainda uma mostra com os 15 finalistas selecionados - foram 398 inscritos no total."O fantástico dessa etapa do trabalho está na curadoria coletiva, ou seja, sete curadoras-assistentes foram a campo e depois, durante dois dias, descreveram o que viram para chegar aos 45 nomes", conta Sônia Sobral, uma das coordenadoras do Rumos Dança ao lado de Fabiana Dultra.As curadoras-assistentes fizeram um diagnóstico da situação da dança no País por meio de um levantamento das obras e dos fatores culturais que interferem nas produções.Depois de percorrerem 13 capitais, as curadoras reuniram-se, nos dias 24 e 25 de setembro, para definir as pesquisas selecionadas. "Havia pelo menos umas 70 boas representações e a necessidade de se criar um critério de seleção", explica Sônia. "Por não se tratar de uma competição, a nossa preocupação estava na situação da dança - quais as tendências - então observamos a multidisciplinaridade presente nas obras, se a apresentação era híbrida, ou seja, se estava no limite entre a dança e o teatro; a influência da tecnologia e a própria composição, o processo de pesquisa utilizado", explica Sônia.De acordo com a coordenadora, o Rumos surpreendeu: "Tanto Maceió quanto Paraíba inscreveram apenas um trabalho e foram contemplados; não houve nenhum tipo de proteção, paternalismo, nem proporcionalidade quanto ao número de inscritos." E Fabiana Dultra complementa: "Os curadores respeitaram as particularidades regionais e as influências culturais na dança, procurando as referências seguidas."O Rumos também tem a proposta de formar profissionais ligados à dança no Brasil. "As curadoras-assistentes estavam em processo de formação, viajaram, observaram o trabalho conceitual como ele se adequava à região e trouxeram essas experiências para São Paulo", afirma Fabiana. "Aqui, quando estavam reunidas, puderam dimensionar o que viram, ampliar do regional para o nacional; detectar as referências comuns, como a tecnologia, presente de várias maneiras nas pesquisas".Outra contribuição do Rumos foi diagnosticar o nível de formação e qualificação dos profissionais da dança contemporânea brasileira. "Observamos que há problemas em todos os Estados, que os profissionais não têm formação adequada, conscistência intelectual ou rigor científico, até porque o Brasil não oferece cursos específicos para curadores ou produtores, por exemplo" afirma Fabiana.

Agencia Estado,

08 de outubro de 2000 | 19h50

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