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Rumo ao Oscar

Produtor ensina como concorrer ao prêmio da Academia

FLAVIA GUERRA / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h11

Não é preciso ser um grande especialista para saber que um Oscar muda a vida de quem o conquista. De atores a diretores, passando por roteiristas e animadores, todos os 'oscarizados' entram para um hall seleto de profissionais requisitados e admirados.

Mas como entrar para este grupo? Como fazer um 'filme para o Oscar'? "Jamais faça um filme para ganhar o Oscar. Simplesmente faça um filme que seja digno de ganhar um." Parece simples. E nem tem fórmula secreta. Mas são justamente os meandros desta receita que Ron Diamond veio ensinar para os animadores da 20ª edição do Anima Mundi, que acaba hoje em São Paulo.

A visita de Diamond não foi por acaso. Afinal, este é o ano em que o festival, o maior de sua categoria na América Latina, entra oficialmente para o hall dos festivais que classificam automaticamente seus vencedores a uma vaga na disputa por um Oscar. "É um grande avanço, claro. Mas não é tudo. Você sabia que há várias etapas e que, antes de mais nada, é preciso se inscrever?", disse o produtor ao Estado, em conversa pouco antes da master class que ministrou aos animadores brasileiros na semana passada, a edição carioca do Anima. "Muita gente tem filmes que seriam até capazes de levar um Oscar, mas não ganham porque simplesmente não os inscrevem", dizia ele pouco depois para a plateia, enquanto mostrava no telão o link exato para se inscrever no site da Academia, de fotos suas nas festas pós-cerimônia, acompanhado de jovens vencedores que mereceram seu apoio na fase classificatória.

Era o caso do japonês Kunio Kato, do lindo La Maison En Petit Cubes, vencedor do Oscar de melhor curta de animação em 2009. "Adoro ir às festas depois da premiação. É bom para conhecer gente, e receber propostas de trabalho. Jamais diga que você não sabe qual seu próximo projeto. Mostre atitude", indicava.

Ouvir Diamond falar sobre os bastidores da Academia é experiência rara, que provoca a sensação de estar espiando as ações de uma das mais lendárias entidades do cinema pelo buraco da fechadura. Enquanto mostrava trechos dos filmes vencedores, e dos não vencedores, ele passava para a plateia relíquias como os convites para a cerimônia, os catálogos de vários anos, com os indicados, a convocatória para as sessões para os votantes, entre outros. De fato, uma aula. "Não é preciso ver todos os cerca de cem curtas que todo ano se inscrevem na categoria. Pode-se escolher ver a última sessão classificatória, que exibe só os dez mais pré votados. Mas é imprescindível ver estes últimos finalistas", explicou. "Ah, e nada de repassar o seu convite para um amigo. Se algum membro convidado repassa para terceiros, é expulso na hora."

Quando questionado sobre o que faz um grande filme, daqueles que seduzem os votantes, Diamond foi direto: "Não é técnica. É o uso criativo da técnica. Acredito que a experiência e a mensagem, independente de ser animação, é sobre a história." Para o produtor, fundador do Acme Filmworks, um dos mais prestigiados de Hollywood, os melhores filmes (ou pelo menos as melhores animações) são os que se permitem ser livres, cujos diretores deixam que a história defina se será um filme feito com lápis ou computação gráfica.

São 38 destes filmes que Diamond selecionou e trouxe para o Anima Mundi. O produtor criou especialmente para o festival a seção Think Oscar®!, que traz quatro tipos de produções: as que ganharam o Oscar, as que foram indicados mas não ganharam, as que se inscreveram mas não foram indicados e finalmente as que nem mesmo se inscreveram, mas que mereceriam ter conquistado a estatueta.

Divididos em quatro sessões, que têm início hoje às 16h30 e terminam às 21horas, no Memorial da América Latina, os curtas escolhidos trazem o melhor da produção mundial ao longo de várias décadas. Há desde Petit Cubes até o francês En Tus Brazos, que não foi indicado, "mas que eram dignos de levar o Oscar em 2007. A questão não é só exibir os vencedores, mas sim revelar quem tem potencial e que contam belas histórias", comenta Diamond, que está, claro, torcendo para o vencedor do Anima este ano, o inglês Head Over Heels, conquistar a tão sonhada estatueta.

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