RS ganha memorial para divulgar sua cultura

Um espaço com tanta importância histórica e cultural quanto o Museu da República ou a Biblioteca Nacional. Para o diretor do Memorial do Rio Grande do Sul, Luiz Roberto Lopez, essa é a comparação possível para a instituição inaugurada hoje, no centro da capital gaúcha, após uma restauração que durou cinco anos e investimentos de R$ 9 milhões. O memorial ocupa o antigo prédio dos Correios e Telégrafos, de três pisos, projetado pelo alemão Theo Wiederspahn, na Praça da Alfândega.Idealizado para ser uma vitrine da história e da cultura gaúchas - mas que vai além disso -, o memorial passou de idéia à realidade na parceria do governo estadual com a Fundação Roberto Marinho, mais o Banco Real, Souza Cruz e Rede Brasil Sul (RBS), que se valeram de isenções fiscais, através da Lei de Incentivo à Cultura. O edifício, antes pertencente à EBCT, foi o aporte do governo federal. Coube à Souza Cruz adquirir e doar ao memorial o maior acervo de documentos da América Latina, a coleção Pedro Correa do Lago. Com 16 mil itens, abarca fotos, cartas, mapas e manuscritos. Inclui, por exemplo, um recibo de soldo assinado por Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, em 1781. Outro recibo, datado de 1856, comprova a aquisição de um escravo da raça Mina "com todos os vícios e achaques novos e velhos, tal qual o possuía".Há cartas, ilustradas com desenhos, de Érico Veríssimo, quando vivia nos Estados Unidos; um telegrama de Rui Barbosa comunicando a proclamação da República ao embaixador do Império do Brasil, em Paris; um exercício de caligrafia de d. Pedro II, aos 7 anos; uma proclamação manuscrita do herói farroupilha Bento Gonçalves, reafirmando, em 1837, ao tempo da República de Piratini, seu juramento de "libertar a Pátria ou perecer por ela". Tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1980, a construção, em estilo neobarroco alemão, foi concluída em 1914. Wiederspahn é o mesmo arquiteto que projetou outros monumentos arquitetônicos da capital, como a Casa de Cultura Mário Quintana e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul-Ado Malagoli (Margs).Dividido entre os três pisos do prédio, o memorial abriga, no primeiro andar, a exposição Linha do Tempo. Concebida pelo designer norte-americano Ralph Appelbaum - responsável por salas do Museu do Holocausto, em Washington - a mostra acompanha os principais momentos da história do Rio Grande do Sul. São 52 módulos temáticos e 36 painéis. Nas Colunas Personagens, por exemplo, estarão figuras fundamentais do Estado, como Getúlio Vargas, Luiz Carlos Prestes e Bento Gonçalves. "São os arquétipos do Rio Grande", comenta o diretor Lopez.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.