Roy Rogers hipnotiza público em festival de Paraty

O slide guitar extremamente benfeito poderia ser apenas uma demonstração imodesta de virtuosismo. Ou seja: podia ser apenas exibicionismo a serviço da vaidade de um músico. Mas o power trio do bluesman Roy Rogers (o grupo Delta Rhythm Kings) é tudo, menos exibicionista. Sua arte, que não encontra equivalente no gênero atualmente, elevou as almas de mais de 10 mil pessoas na Praça da Matriz, durante o Bourbon Jazz Festival de Paraty.

AE, Agência Estado

04 de junho de 2012 | 10h07

O show durou pouco mais de uma hora - Rogers não era o headliner da noite. Mas, se tivesse levado a noite toda, certamente ninguém iria embora. "Terraplane Blues", do repertório de um lendário músico que Rogers acompanhou, John Lee Hooker, foi um dos momentos altos, saindo do escopo de uma balada e tomando a forma de rock pesado. A modernidade de Roy Rogers, que toca com igual senso de subversão Robert Johnson e as próprias composições, é o que faz seu show provocativo. Tocando "Calm Before the Storm" ou "River of Tears", ele o transforma num léxico particular, completamente Roy Rogers style.

Seu slide (forma de tocar a guitarra com um tubo em um dos dedos, deslizando o dedo pelas notas) não serve somente a um efeito, não se insere entre os milhares de imitadores que dão uma impressão de estagnação ao gênero. Roy é hendrixiano quando conclama a plateia para a rebelião (e consegue adesão). É jimmypagiano em sua busca de beleza, manobrando como um garoto sua guitarra de dois braços ou seu violão de aspecto comum. Roy é insidioso, tira aquela poeira de que as coisas são sempre respeitosas no blues e coloca algum tempero de perversão, de descontrole. Um show de seduzir até metaleiro, de tão pesado.

Roy se faz acompanhar por dois músicos tão excêntricos quanto extraordinários: o baterista Billy Lee Lewis (que já tocou com Dr. John, Huey Lewis e outras feras) e o baixista Steve Ehrmann (que, em dado momento, parou de tocar para presenciar, boquiaberto, a performance do próprio colega, Rogers). Ao final do seu show, o locutor anunciou que Roy autografaria alguns CDs que trouxe ao Brasil para os fãs. Em 15 minutos, a barraca de CDs foi cercada e os CDs arrebatados, como num leilão.

Pena que, por questões de datas, seu show não vai passar nem pelo Rio nem por São Paulo. Pena para o povo das capitais, porque Roy Rogers & the Delta Rhythm Kings tocam nesta sexta-feira e no sábado no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival. Uma ocasião única para ver uma das mais raras performances de guitarra da atualidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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