Roubados 24 livros raros do Museu Nacional do Rio

Pelo menos 24 livros raros dos séculos 16 a 20 foram roubados da biblioteca do Museu Nacional do Rio, na Quinta da Boa Vista, zona norte. Entre as peças levadas está uma obra em latim de Hans Staden, datada de 1592, sobre índios do Brasil e América do Sul e um livro de 1860 de CharlesRibeyrolles com fotos de D. Pedro II e da família imperial. A direção do museu não soube informar quando os livros, chamados in-fólios (grandes e pesados) foram roubados, pois sóderam falta do material na quinta-feira, após uma solicitação de pesquisa. A Polícia Federal, em greve desde março, foi informadado fato na terça-feira, mas até hoje, não havia passado no museu.A perda pode ser maior, pois há o risco de mais obras terem sumido.?Um professor daqui veio fazer uma pesquisa nesta quinta-feira e pediu um in-fólio. Quando abrimos a caixa, estava vazia. A partirdaí começamos a fazer o levantamento do que havia desaparecido?, disse Laura Maria Gayer Takche, chefe da biblioteca domuseu.O inventário dos cerca de 1700 in-fólios terminou na segunda-feira, quando foi detectado o sumiço das 24 peças. Outra inspeçãoestá sendo feita no acervo de 2.500 volumes menores que também são considerados obras raras. Laura informou que até agoranada foi levado deste conjunto. Ela disse que, em 1989, 17 in-fólios foram roubados, mas todos foram recuperados.As obras levadas tinham textos e fotos sobre botânica, aves raras, arqueologia, antropologia, história do Brasil, entre outrosassuntos. Para Laura, o roubo foi planejado por profissionais. ?O valor é incalculável porque muitas obras são únicas. A pessoa que fezisso sabia o que queria?, disse ela, acrecentando que as peças seriam mais facilmente vendidas na Europa. Doze obras foramlevadas inteiras.Outras, que tiveram gravuras e textos arrancados, foram deixadas pela metade e em alguns livros apenas a capa porque aencadernação não era original. Os in-fólios ficam expostos nas prateleiras da biblioteca, armazenados em caixas de um papelão especial para conter acidez eclaridade. Laura explicou que eles podem ser consultados por qualquer pessoa, mas sempre sob supervisão de um funcionário domuseu. ?Nossa grande dúvida é como esses livros foram levados. Estamos procurando uma pista.? O local, trancado a chaves,não tem sinais de arrombamento.Outra questão que intriga a direção do museu é com relação à data exata do roubo. Segundo o diretor da instituição, SérgioAlex Azevedo, o último inventário do acervo, feito em 2001, mostrou que ele estava completo. ?Sabemos que dois livros roubadosestiveram em uma exposição em outubro do ano passado, no Palácio Capanema (no centro). Tem página que foi deixada cortadapara ser retirada mais tarde. Esse roubo está em curso?, disse ele, referindo-se a in-fólios que foram deixados na biblioteca, masestariam prontos para serem levados. Apesar do roubo ter sido descoberto tarde, Azevedo tem esperança de reaver as peças. ?Se o livro aparecer em algum lugar, anotícia pode vazar porque são obras únicas. Estou esperando a investigação da Polícia Federal porque não tenho pistas dosresponsáveis.? Ele não afirmou se há funcionários do museu envolvidos no caso, mas admitiu que a maior parte dos roubos nainstituição ?indicam participação interna.? Procurada, a PF do Rio respondeu por e-mail que ?estão sendo tomadas asprovidências necessárias para o procedimento criminal. Nos próximos dias será aberto inquérito policial, que ficará a cargo daDelegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico.? Paralelo ao trabalho da polícia, o museu terá uma comissão interna paraapurar os fatos. Funcionários devem ser ouvidos e as informações colhidas serão anexadas ao inquérito policial. Segundo Azevedo, o museu tem graves problemas de segurança. São apenas 20 vigilantes, que se revezam em turnos, paratomar conta da instituição. Além disso, não há sistema contra incêndio, ?apenas alguns extintores?, disse. Ele reivindicaainda câmeras de vídeo. ?Nosso projeto de segurança prevê 40 câmeras para o museu, sendo 16 só na biblioteca.? Azevedo informou que, desde outubro,espera a liberação de R$ 40 milhões de Brasília para as obras emergenciais. Mapas - Em julho do ano passado, 150 mapas e 500 fotos dos séculos 17 e 18 foram roubados do acervo do Ministério das Relações Exteriores, no Palácio do Itamaraty, no centro do Rio. Algumas peças, entre mapas históricos, gravuras, litografias efotografias, chegaram a ser avaliadas em R$ 6 milhões. Apenas parte do material foi recuperada.

Agencia Estado,

06 de maio de 2004 | 19h58

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