Rothko lutou por uma arte espiritual

Na recente retrospectiva de Rothko encerrada em fevereiro, na Whitechapel de Londres, críticos notaram a afinidade do pintor com os românticos ingleses, particularmente Turner (1775-1851).

O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h09

De fato, o próprio Rothko cansou de estabelecer relações entre a sua arte abstrata e os mestres antigos, tendo mesmo buscado inspiração em Fra Angelico (1387-1455) para criar uma pintura capaz de cruzar a fronteira estética e ganhar uma dimensão espiritual.

Criado num ambiente familiar intelectualizado, na Rússia ainda czarista, ele seria levado, ainda na juventude, em Nova York, a ver na arte uma possibilidade de expressão religiosa (que culminaria na construção da Capela Rothko no Texas, concebida como local de peregrinação artística).

Até nela o espírito de Matisse (que também criou uma capela) esteve presente. O francês viria a ser a referência máxima das pinturas abstratas de Rothko. No entanto, esse compromisso espiritual com a arte o tornou incapaz de aceitar o cinismo da pintura pop, retrato autoparódico de uma sociedade moderna e laica. Deprimido e sentindo-se incompreendido, matou-se em 1970. / ANTONIO GONÇALVES FILHO

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