Roteiristas de séries de Hollywood ameaçam entrar em greve

Classe exige pagamento de royalties justos pela venda de programas em DVD e pela internet

Efe,

02 de novembro de 2007 | 12h08

As divergências sobre a venda de séries em DVD e sua distribuição pela Internet provocaram uma ruptura nas negociações entre roteiristas e produtores, o que pode fazer com que escritores de filmes e séries de Hollywood entrem em greve, nesta sexta-feira, 2. O Writers Guild of America (WGA), sindicato do qual também fazem parte os roteiristas de séries de televisão, deve realizar uma assembléia com seus membros para discutir os passos a serem tomados após a ruptura das negociações, ocorrida pouco antes das 6 horas de quinta-feira (horário de Brasília). A disputa trabalhista entre roteiristas e produtores tem como ponto principal o pagamento de royalties aos escritores pela venda das séries de televisão em DVD - prática cada vez mais habitual, e que está gerando bastante receita para os estúdios de televisão - e pela venda online de episódios das séries. Os roteiristas consideram que os produtores não estão pagando o suficiente pela comercialização alternativa destas séries, ao tempo que as emissoras de televisão declararam que as reivindicações dos escritores são "inalcançáveis" diante da realidade financeira do setor. Uma greve de roteiristas pode deixar as emissoras sem histórias para as novas temporadas de suas séries mais populares, embora seus efeitos só devam começar a ser sentidos no início de 2008, data prevista para a gravação de novos episódios. A última greve de roteiristas, em 1988, causou à indústria perdas estimadas em US$ 500 milhões.  Crise Os roteiristas já tinham autorizado a WGA a convocar a greve caso as negociações com a Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), que agrupa empresas produtoras de séries de televisão, terminassem sem um acordo para a assinatura de um novo convênio coletivo. Nas últimas horas, tanto a WGA como a AMPTP trocaram acusações em relação ao fracasso das negociações. "A AMPTP rompeu as negociações pouco antes do fim do atual convênio, pois as companhias se negaram a continuar negociando a menos que aceitássemos que os padrões adotados no comércio de DVDs fossem estendidos aos downloads", disse a WGA. O sindicato apresentou na quarta-feira uma proposta que incluía pontos como a venda de DVDs, novas mídias e assuntos jurisdicionais, mas a AMPTP se negou a continuar as conversas a menos que os escritores renunciassem a seus pedidos quanto à distribuição na internet. "Após três meses e meio de negociações, a AMPTP continua sem responder às propostas mais importantes. Todos os assuntos que interessam aos roteiristas, incluindo a reutilização das obras na Internet, roteiros para novos meios, DVDs e jurisdição, foram ignorados. É completamente inaceitável", explicou o sindicato. A AMPTP, por sua vez, também expôs sua visão sobre a ruptura, e afirmou que a magnitude da proposta impede a continuidade das negociações. "Não podemos avançar enquanto esse assunto continuar sobre a mesa. Em poucas palavras, o assunto dos DVDs é uma barreira para qualquer progresso no futuro", afirmaram. "Continuamos em confronto pelo assunto dos DVDs. As companhias acham que é possível avançar em outros assuntos, mas não podem fazê-lo quando são contra os contínuos esforços para aumentar as vendas do formato DVD", explicou o presidente da AMPTP, Nick Counter. A associação dos produtores acrescentou que os roteiristas já sabiam, antes do início das negociações, que os diretores das produtoras não estavam dispostos a ceder quanto à divisão dos lucros das vendas de séries em DVD. "Isto não pode ser uma surpresa", afirmou Counter, acrescentando que quer chegar a um acordo, mas que não é possível avançar enquanto a proposta sobre a comercialização de DVDs continuar sobre a mesa.

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