Rossini encerra série de óperas no Teatro Municipal

A Italiana em Argel, em cartaz até o dia 1.º de julho, finaliza ciclo do teatro

Agencia Estado

25 de junho de 2007 | 15h41

O Teatro Municipal encerra a partir desta sexta-feira, 22, com uma nova produção de A Italiana em Argel, deRossini, o projeto A Comédia na Ópera, realizado ao longo doprimeiro semestre. À frente da Orquestra Experimental deRepertório, o maestro Jamil Maluf comanda o elenco encabeçadopor Luisa Franceschoni, Andre Vidal, Stephen Bronk, Douglas Hahne José Gallisa, com concepção cênica de Hugo Possolo. A Italiana é a 11.ª ópera de Rossini, que a escreveucom apenas 21 anos ao longo de pouco mais de 20 dias. Produzi-laé um projeto antigo do maestro Maluf, que havia pensado notítulo para dar continuidade, há três anos, à série de óperasque a Experimental de Repertório realizava no Teatro Alfa. "Asérie acabou e arquivamos o projeto, também à espera de vozesideais para este tipo de repertório", conta o maestro. Uma das mais divertidas comédias de Rossini conta ahistória de Mustafá, o bey de Argel, que quer se livrar de suaesposa Elvira e, para tanto, tenta convencer Lindoro, italianoaprisionado em suas terras, constantemente sonhando com a amadaque deixou em sua terra natal, a casar-se com ela - se o fizer,ganhará como prêmio de consolação a chance de voltar à Itália.Mas eis que um navio vindo da Europa naufraga e, entre ossobreviventes, está a jovem Isabella, por quem Mustafá logo seapaixona. É isso mesmo: Isabella, logo a gente descobre, é aamada de Lindoro. Os dois passam a arquitetar uma maneira deficar juntos, enquanto Elvira espera que, ao ser enganado porIsabella, Mustafá volte para ela. Nem sempre dramáticas A trama se presta perfeitamente ao temperamento deRossini, que cria aqui algumas de suas cenas mais célebres, comoo final do primeiro ato, em que os cantores usam onomatopéias emvez de palavras. "Sempre que vou interpretar Rossini, a minhaprimeira preocupação é com a edição da partitura", diz Maluf."Suas obras sofreram muito, ao longo dos anos, com acréscimos emudanças feitas por maestros e editores. Nas últimas décadas, noentanto, a Fundação Rossino de Pesaro tem se dedicado acontratar especialistas para preparar novas edições daspartituras. Isso é importante não apenas porque nos aproxima dasintenções originais de Rossini. Na "Italiana", por exemplo, éfundamental, porque muda toda a nossa percepção da música e dobalanço entre as vozes e a orquestra. Rossini escreve para vozesmuito específicas, nem muito leves, nem muito pesadas, com umcerto metal, o que exige um acompanhamento muito específico daorquestra." Ao longo do primeiro semestre, o Municipal de São Pauloprogramou apenas óperas. Começou com A Filha do Regimento, deDonizetti, seguiu com O Chapéu de Palha de Florença, de NinoRotta, e agora a série termina com A Italiana em Argel. Porquê? "A idéia, na verdade, era mostrar como a ópera não trataapenas de histórias dramáticas, que envolvem quase sempre amorte de alguém no final", diz Maluf, que, além de reger aExperimental de Repertório, é também diretor-artístico doMunicipal. E, com o fazer rir com a ópera? "As óperas cômicastêm histórias muito mais complicadas, confusas, intrincadas, queas dramáticas. Num drama, muitas vezes você sabe que caminho ahistória está seguindo, que alguém vai morrer, etc. Mas em umacomédia como A Italiana tudo pode acontecer". O segredo, diz,está no timing, no tempo da comédia. "Rossini nos oferecediversos grandes momentos de comédia. Nossa função é dar ritmoao espetáculo e aproveitar ao máximo as possibilidades sugeridaspelo compositor. Essa, aliás, acho que é a grande qualidade damontagem do Hugo. Ele não vem da ópera, vem do circo, do teatro.Mas soube entender muito bem as sugestões da obra e surpreende opúblico a todo instante com sua concepção." A Italiana em Argel. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo,s/n.º, 11-3222-8698. Sábado, 2.ª, 4.ª e 6.ª, 20h30; dia 1.º/7,17 h. R$ 20 a R$ 40 (dia 25, R$ 10 a R$ 20). Até 1.º/7

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