REUTERS/Rebecca Cook
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Rose McGowan diz que o movimento Time’s Up é uma 'mentira para fazer Hollywood se sentir melhor'

Em entrevista a jornal inglês, a atriz afirma que não recebeu apoio de organizações ou revistas femininas.

Hannah Cliton, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 18h05

A atriz Rose McGowan, uma das primeiras mulheres a acusar publicamente o produtor Harvey Weinstein de estupro, disse em entrevista ao jornal inglês The Sunday Times publicada domingo, 7, que o movimento #MeToo é uma mentira. No entanto, no mesmo dia a atriz publicou um Tweet afirmando que estaria se referindo à iniciativa Time’s Up, e não ao movimento. “#MeToo é sobre sobreviventes e suas experiências, que não podem ser retiradas”, escreveu.

Após a denúncia contra Weinstein, McGowan se tornou um dos nomes mais associados ao movimento #MeToo, que trouxe à tona diversas acusações de estupro e assédio sexual em Hollywood. “Eu acho que eles são uns cretinos. Eles não são campeões, eu acho que eles são perdedores. Eu não gosto deles. Como você explica o fato de que eu ganhei um prêmio de Homem do Ano da GQ, mas nenhuma organização de mulheres ou revista feminina me apoiou?", questionou.

O Time’s Up é uma iniciativa criada por mulheres de Hollywood para combater o assédio sexual em ambientes de trabalho. Para isso, foi criado um fundo de defesa legal que promete dar assistência às vítimas. Essa iniciativa foi criada após o movimento #MeToo, em que mulheres denunciaram casos de assédio sexual e estupro em Hollywood.

Após a retratação da atriz, a publicação alterou o título da reportagem e acrescentou uma nota ao final esclarecendo que McGowan estava se referindo à abordagem de Hollywood com relação ao movimento #MeToo, e não à campanha como um todo.

 


Na mesma entrevista, a atriz de Planeta Terror e Jovens Bruxas disse que nunca mais vai atuar pois, segundo ela, os filmes de Hollywood são análogos à pornografia infantil, em que assisti-los não apenas prejudica, mas também implica o espectador aos maus-tratos às atrizes. “Eu não assisto mais a filmes”, explica. A última participação da atriz nos cinemas foi no filme O Som, lançado em 2017.

Além disso, McGowan diz na entrevista que seria “literalmente impossível” que a atriz Meryl Streep não soubesse a respeito das práticas de Weinstein, assim como Hillary Clinton, que era próxima ao produtor. Ela disse ainda que consideraria concorrer a um cargo público nos Estados Unidos, mas seria pelo partido Republicano “só para mexer com a cabeça das pessoas”.

“[Os apoiadores de Donald Trump] odeiam Hollywood por serem falsos liberais – e eles estão 100% certos sobre isso. É um grupo de falsos liberais”, opina. “Eles estão vivendo uma vida vazia, e para mim essa é a punição deles.”

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