Rosa Chá abre em NY sua primeira loja própria no exterior

Amir Slama desfila coleção primareva-verão 2009 e comemora inauguração de sua maison no bairro do Soho

Flávia Guerra, enviada especial do Estado,

08 de setembro de 2008 | 18h32

Caipirinha, bossa nova, brilho, barroco e festa na Oak, uma das casas noturnas mais badaladas de Nova York, marcaram a inauguração da primeira loja da grife Rosa Chá no exterior. Aproveitando o calendário da New York Fashion Week, cujo nome oficial é Mercedes-Benz Fashion Week, a grife brasileira recebeu os convidados no Soho, um dos mais prestigiados bairros da cidade, para mostrar a cara da sua nova casa. Projetada pelo escritório de arquitetura Avroko (famoso por criar os projetos de restaurantes famosos em Manhattan, como o Sapa e o The Stanton Social), a maison Rosa Chá tem detalhes que fazem a alegria das fiéis clientes norte-americanas. Em uma atmosfera que remete à arte barroca brasileira, dois provadores com 25 metros quadrados são o destaque da nova loja, que ocupa nada menos que 140 metros quadrados em um quarteirão que tem como vizinhos grifes como Emporio Armani, Ralph Lauren e Max Mara.   Veja também: Rosa Chá, Carlos Miele, Herchovitch e Iódice em NY Alexandre Herchcovitch leva seu verão sutil e feminino para NY Brasil vai além de chinelos e biquínis na Semana de Moda de NY     A Rosa Chá, que já tem franquia em Portugal e Turquia e uma loja em Miami, escolheu a moderna região da West Broadway para traduzir seu conceito de loja. "Muitas clientes já conferiam as nossas criações em lojas multimarcas. E estão adorando que agora vão poder ter um endereço da própria grife para conferir. Estou muito feliz com isso. Comecei a desfilar em Nova York há oito anos. Abrir este espaço é a realização de um sonho e resultado de muito trabalho", comentou o estilista, que há dois anos passou os direitos da grife que criou para o grupo Marisol. "Aqui em NY, para abrir a loja, o investimento foi de US$ 500 mil, fruto da parceria da Marisol com a Cotia S/A. E pretendemos trabalhar mais ainda a marca no exterior. Para Miami, os planos são de fechar a loja atual e repaginá-la", completa o estilista, que no sábado, 6, mostrou na NYFW sua coleção primavera-verão 2009.   Inspiração   Inspirada na arte contemporânea e, principalmente, nos grafismos do artista plástico carioca Gonçalo Ivo, a coleção trouxe para o Bryant Park (onde a semana de moda é realizada, no coração de Manhattan), uma mulher que abusa do frescor do verão, em cores que vão do off white ao bege, passando pelo coral e o verde-turmalina. Ainda que em clima de verão, a mulher Rosa Chá não desce do salto. Plataformas em cores vivas e neutras, cristais Swarovsky, bijoux, amarrações inusitadas dão o tom à praia sofisticada idealizada por Amir Slama, que passou a desfilar suas criações masculinas na São Paulo Fashion Week em maio.   E como é ver suas obras em movimento? "Estranha, mas boa", respondeu Ivo ao ser questionado sobre o resultado da inspiração que o estilista buscou em sua obra. Historiador de formação e sempre preocupado em agregar valor a um mercado que cada vez mais industrialize a criação de moda, Slama conta que a idéia nasceu há alguns meses, quando foi conferir uma exposição de Ivo na Pinacoteca do Estado, em São Paulo.   "Ao ver a forma como o Gonçalo trabalha as cores e as texturas, imediatamente pensei que seus grafismos renderiam estampas perfeitas. E se adequariam perfeitamente às formas da silhueta romântica, com muito de anos 70, que idealizei para esta nova coleção. Entrei em contato com o Gonçalo e começamos a conversar sobre isso", conta Slama. "No início, fiquei receoso. Mas mandei minhas fontes investigarem a vida e a obra do Amir para ter certeza de como ele iria "adaptar" minhas obras ao mundo fashion que, cá entre nós, conheço pouquíssimo", brincou Ivo. "Mas aprovei. Estou muito feliz com o resultado", completou o artista carioca, que mora há uma década em Paris e atualmente expõe no Museu Nacional de Belas Artes do Rio.   Ivo tem razão. Ao ver os grafismos de obras como Prière (que o artista criou em 2006) virarem estampa dos minivestidos, kaftans e biquínis desfilados pela tops, em vez de mera banalização da arte, a sensação é de puro culto fashion das preces visuais de Gonçalo Ivo. Ponto para Slama.   Mais uma vez, o estilista prova que, como bem diz aos críticos estrangeiros que sempre perguntam se cada vez mais ele esta criando mais peças inteiras e não só biquínis, "A moda brasileira não é um estilo de vida. Vai muito além da areia".   (A repórter viajou à convite da Rosa Chá)

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