Ronnie Von ''O massacre da mídia era enorme''

"Quando me convidaram para escrever sobre a época da Jovem Guarda, a princípio relutei. O motivo? O de sempre: nunca fiz parte da Jovem Guarda. Jovem Guarda era o programa que o Roberto apresentava aos domingos na TV Record. Em outubro de 1966, quando estreei o programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von, exibido aos sábado na mesma Record, o Jovem Guarda já era o maior fenômeno da TV brasileira da época. Porém, assim como eu, os artistas que se apresentavam em meu programa, não podiam participar do Jovem Guarda, e vice-versa. Tudo devido à rixa que afirmavam existir entre mim e o Roberto.

, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2011 | 00h00

Atualmente, todo e qualquer artista que fez sucesso naquele período, que não fosse da MPB tradicional, é enquadrado no "movimento" Jovem Guarda que virou uma marca tão forte, que, por mais que explique não ter feito parte dela, fiquei marcado como sendo um de seus expoentes. Não que isso me aborreça, mas é um equívoco que acredito estar arraigado a tal ponto, que jamais conseguirei ver-me livre do título de Príncipe da Jovem Guarda.

Minha querida amiga Hebe Camargo com certeza não imaginava, ao me apelidar de Pequeno Príncipe, que a alcunha seria responsável por uma das rixas mais famosas da música brasileira, a rivalidade absolutamente inexistente entre mim e o Roberto. Quando surgi no cenário musical, em 1966, Roberto já era o Rei. Nunca tive a intenção de concorrer com ele. O massacre da mídia era tamanho que chegou um ponto em que nós mesmos passamos a acreditar que a rivalidade era real. Graças à intercessão de minha ex-mulher, então amiga da ex-mulher do Roberto, tudo foi esclarecido. Eu e Roberto nunca chegamos a ter uma amizade íntima, mas temos uma relação de afetividade e respeito, apesar de não mantermos contato frequente, já que nossas vidas tomaram rumos diferentes, eu me estabeleci em São Paulo e o Roberto no Rio.

Voltando àquela época, meu envolvimento era muito maior com o pessoal da Tropicália, mas interesses comerciais fizeram com que eu me afastasse do grupo. Esse é um dos grandes arrependimentos que tenho em minha carreira. Depois disso, vi a Tropicália explodir e eu, que estava lá no início de tudo, de fora. Mas isso é outra história..."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.