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Ronaldo Fraga volta superlativo com homenagem ao Pará

Desfile marcou sua volta à passarela da SPFW após um ano de ausência

Flavia Guerra - O Estado de S.Paulo,

13 de junho de 2012 | 09h06

SÃO PAULO - "Esta é uma coleção úmida", disse Ronaldo Fraga ao Estado logo depois do desfile que marcou sua volta à passarela da SPFW após um ano de ausência. E após a polêmica (um tanto exagerada, é fato) que causou sua declaração de que "a moda acabou." Como o proprio esclareceu dezenas de vezes, a moda acabou da forma como a conhecêmos até então. "Não há mais tendências, não há isso de isso está usando... Isso não está usando. Pode tudo", emendou ele após ser questionado novamente pelo Estado sobre as tendências de sua nova coleção, que é inspirada na cultura do Pará e em sua (bio)diversidade: Turista Aprendiz na Terra do Grão-Pará Verão 2012/13.

Mas e a tal da umidade, além da relativa do ar no estado do norte do Brasil? Está justamente na profusão de ares, cheiros, aromas, texturas, cores, folhas, pássaros, madeiras, frutos, animais etc etc etc. É nesta atmosfera húmida, fértil e irreverente que crescem florestas, ideias e movimentos que literalmente não estão nem aí para a moda. E que por isso mesmo estão na moda. Já ouviu falar da Aparelhagem, de Gaby Amarantos, do tecno-brega, de Fafá de Belém, de sorvete de cupuaçu... "É isso que é a cultura parense. Uma profusão de referências em que tudo está ligado e misturado. A música, com as frutas, com a cultura, com as pessoas, com os animais... E é esta força que, para mim, faz de uma cultura sólida", comentou o estilista, que é eterno devoto de Mario de Andrade, o 'turista aprendiz' original. Foi na obra de Mario que Ronaldo foi buscar inspiração e é nela que ainda se espelha para olhar a cultura regional brasileira com olhos não de 'fashionista', mas de "eterno aprendiz".

Ok. Referências comentadas, e a informação de moda traduzida na passarela? Muita pesquisa de texturas, cores, bordados, tecidos, materiais... A força da coleção de fato não está nas formas (ou nos cortes). Estes surgem até clássicos (se considerada a trajetória de Ronaldo). Longos de silhueta larga, saias estruturadas, alfaiataria simples e sofisticada ao mesmo tempo, paletós, shorts, casaquetos... Nos decotes, destaque para os ombros e costas à mostra. É sempre na sensualidade não óbvia que Ronaldo investe. E desta vez os ombros e costas foram as vedetes.

Já nas texturas... A saia longa transparente (quem disse que Ronaldo ignora as tendências?) branca simulanto uma grande calda de pavão branco (e quem disse que ele se prende a elas?), o longo que fecha o desfile (mais uma vez o pavão, só que colorido), as texturas de madeira criadas em 3D com papelão e apliques de madeiras de fato, as estampas de 'nós das árvores', as garças (ou seriam os maguaris?) sobrevoando os longos vestidos.

Como bem disse a declaração de amor do estilista que encerrou o desfile (um 'ponto a mais' na carta original de Mario de Andrade), Ronaldo quer o Pará como se quer um amor sobressaltado.

Nesta sua volta à passarela, assim como o Grão-Pará, tudo é superlativo.

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