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Romance do estreante Raphael Montes está na Pauliceia Literária

Autor ficou um ano à procura de editora para o livro policial que 'daria um bom filme'

Clarice Cudischevitch - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2013 | 22h00

Quando terminou de ler Suicidas, o romance policial do estreante Raphael Montes que conta a história de nove amigos que decidem se matar em um jogo de roleta-russa, a mãe do autor pediu para que seu próximo livro fosse uma história de amor. Assim nasceu Dias Perfeitos, a segunda obra do jovem carioca de 22 anos recém-formado em Direito, que está quase concluída.

O livro fala da paixão obsessiva do psicopata Téo, estudante de Medicina, pela sonhadora Clarice. Ele decide conquistá-la sequestrando-a e colocando-a sedada dentro de uma mala para viajar de carro pelo Brasil, inspirando-se no road movie que Clarice escreve, sobre três amigas que percorrem as estradas do Rio.

“É o mais próximo de uma história romântica que consigo fazer”, conta Montes, que já leu mais de 2 mil policiais, mas não gostava de livros até os 12 anos. Foi nessa idade que ganhou Um Estudo em Vermelho, de Sir Arthur Conan Doyle. Pouco depois, em uma aula de português no São Bento (colégio tradicionais do Rio), Montes escreveu conto sobre um sujeito que perseguia um garoto, por quem era apaixonado, em uma escola só para homens. “Mostrei para meus amigos e eles queriam saber como tudo terminava”, lembra.

Suicidas foi escrita entre os 16 e os 19 anos do autor, mas é voltada para adultos – inclui drogas, sexo, violência e um daqueles finais surpreendentes que aceleram os batimentos cardíacos, típicos de Agatha Christie.

Foi da escritora britânica que Montes pegou o cuidado com a trama e o interesse em fazer algo imprevisto. Outra inspiração é Patricia Highsmith (O Talentoso Ripley). “Pesquisei muito sobre literatura policial. Mescla subgêneros do mistério. Suicidas, por exemplo, é um thriller noir, enquanto Dias Perfeitos é um suspense psicológico com ritmo claustrofóbico.”

“Tento explorar o que me parece o futuro do romance policial: histórias mais ágeis, sem o detetive como personagem principal”, afirma. A fórmula vem agradando. Em 2010, a obra foi finalista entre 1.932 inscritos no Prêmio Benvirá. Porém, o júri gostou tanto que recomendou o livro de Montes, o único finalista na casa dos 20 anos, além de outros três.

Com 19 anos na época, ele foi convidado pelo então diretor editorial da Saraiva, Thales Guaracy, para publicar Suicidas pela Série Negra, de livros policiais. Na época, a coleção reunia apenas obras estrangeiras. Em setembro de 2012, Montes lançou em São Paulo e no Rio a obra que também foi finalista do Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional. Foi o livro policial mais comprado pelo site da Saraiva entre novembro e abril.

O sucesso, no entanto, não veio sem esforço. Depois que terminou de escrever Suicidas, Montes passou um ano procurando uma editora. “Deixei de molho e fiquei esperando para ver se dava alguma coisa porque sei que o livro é bom”, comenta. Para o autor, sua obra daria um bom filme, até porque a história foi idealizada inicialmente como um roteiro.

Raphael Montes participa hoje, às 17 horas, do Pauliceia Literária na mesa Cena do Crime com o norte-americano William Landay (Defendendo Jacob) e Marçal Aquino (Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios). É o escritor mais jovem do evento. “Ele é uma das grandes revelações de 2013”, afirma Christina Baum, curadora do encontro. "Suicidas é uma joia rara do romance noir e tem tudo para ser tornar um grande best-seller internacional.”

PAULICEIA LITERÁRIA

Aasp. R. Álvares Penteado, 151. Centro. R$ 32 (Auditório) e R$ 16 (telão). Até 22/9. Programação: www.pauliceialiteraria.com.br

 

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