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'Romance de Formação' traz perfis de quem venceu na vida pelo estudo

Documentário mostra como quatro jovens procuram se destacar em suas respectivas profissões

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S.Paulo,

30 de maio de 2012 | 03h11

De modo geral, o cinema retrata o jovem no que ele tem de problemático. Drogas, desorientação, rebeldia, angústia diante da sexualidade, a natural confusão de quem está ingressando na vida adulta, e vai por aí.

Romance de Formação, de Julia de Simone, tenta um caminho novo. Lança seu olhar sobre a excelência e a afirmação, em vez de focar nas hesitações tão comuns em certa faixa etária. Mostra, simplesmente, as maneiras como quatro jovens procuram se destacar em suas respectivas profissões. Um é pianista prodígio, e estuda na Alemanha. Outro, um estudante de direito internacional em Harvard. Uma garota cursa literatura em Stanford. E um rapaz de Minas, de família pobre, mudou-se para o Rio, para estudar medicina.

Claro, pode-se dizer que o tom é calibrado de modo a enaltecer um certo empreendedorismo teen, que, se é moda em termos de modelo a ser dotado pela sociedade como um todo (elogio ao self made man), aqui parece apenas preocupado em valorizar o esforço individual desses moços. Não há proselitismo político visível, nem arenga liberal sobre as virtudes do esforço de cada um, o que costuma implicar crítica automática a qualquer tipo de ação social, com a desculpa de que, se alguns conseguem, todos podem chegar lá. O documentário não entra nesse campo minado, que costuma virar um Fla-Flu interminável entre esquerda e direita, contenda que, no Brasil, vive permanentemente envenenada.

Não há nada disso e, diga-se o que se quiser, é reconfortante ver pessoas moças que não reclamam, não responsabilizam os outros por seus problemas e não medem esforços para se superar. Sabem o que querem, têm um interesse real em assuntos que não costumam comover gente da sua idade, e vão em frente. O título remete ao termo alemão Bildungsroman, que descreve o processo formativo de um indivíduo. No caso, a maturidade não parece vir de uma contemplação egoica, mas do envolvimento a sério em atividades da área acadêmica.

Conclusão: é impossível não simpatizar com eles. Mesmo se, numa leitura mais "social", pudéssemos lembrar de muita gente que, mesmo tendo as características intelectuais favoráveis desse quarteto, não goza da mesma sorte nem obteve as mesmas oportunidades. De qualquer forma, deve-se reconhecer que todos eles se aferraram às suas chances com muita garra.

Assim, só nos cabe admirar uma jovem como Victoria Saramago, que foi aos Estados Unidos fazer seu doutorado de literatura e hoje é professora e escritora. Ou William Cortopassi que, graduado em química em Minas, veio para o Rio estudar farmacologia. Há um desejo por trás do esforço: o pai morreu de câncer quando ele era adolescente e agora quer pesquisar sobre a doença. Fábio Martino foi menino prodígio e hoje estuda piano na Alemanha e dá concertos. Caetano Altafin estuda em Harvard e está se especializando em direito corporativo enquanto namora através do Skype.

Não sabemos muito bem até aonde podem ir. Mas é evidente que são, desde já, protagonistas de histórias de sucesso. O documentário que os retrata é também construído de maneira simples, com entrevistas, os mostrando em seu cotidiano, estudando, perseguindo seus ideais e, nos intervalos, tentando levar vidas normais. Nesse filme, que é um elogio ao esforço, há também lugar para o prazer.

Avaliação do filme: BOM

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